MUDAMOS O MUNDO COM UMA
ATITUDE
REAL DE
CARINHO E
AMOR

Acreditamos no Pai, Filho e Espírito Santo. Acreditamos na Palavra de Deus como regra de fé.
Acreditamos na salvação unicamente pela fé. Acreditamos que devemos guardar os mandamentos.
Acreditamos que devemos cuidar da saúde. Acreditamos que devemos cuidar da natureza.
Acreditamos que Jesus voltará.

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segunda-feira, 13 de junho de 2016

13. Alegria no Senhor - Caminho a Cristo


Os filhos de Deus são chamados para serem representantes de Cristo, manifestando a bondade e a misericórdia do Senhor. Assim como Jesus nos revelou o verdadeiro caráter do Pai, nós também devemos revelar Cristo a um mundo que não conhece Seu amor terno e compassivo. “Assim como Tu Me enviaste ao mundo”, disse Jesus, “também Eu os enviei ao mundo.” “Eu neles, e Tu em Mim [...] para que o mundo conheça que Tu Me enviaste”. João 17:18, 23. {CCn 73.1}
O apóstolo Paulo disse aos discípulos de Jesus que eles eram “manifestos como carta de Cristo [...] conhecida e lida por todos os homens”. 2 Coríntios 3:3, 2. Por intermédio de cada um de Seus filhos, Jesus envia uma carta ao mundo. Se você é um seguidor de Cristo, Ele envia por seu intermédio uma carta para a sua família, para o bairro e a rua em que você mora. Ao habitar em você, Jesus deseja falar ao coração daquelas pessoas que ainda não O conhecem. Talvez elas não leiam a Bíblia ou não ouçam a voz que fala através de suas páginas; não vêem o amor de Deus revelado em Suas obras. Mas, se você for um verdadeiro representante de Jesus, é possível que, por seu intermédio, elas sejam levadas a ter um vislumbre de Sua bondade, e sejam atraídas para amá-Lo e servi-Lo. {CCn 73.2}
Os cristãos são colocados como portadores de luz no caminho para o Céu. Eles devem refletir para o mundo a luz que brilha sobre eles, a qual vem de Cristo. Sua vida e caráter devem fazer com que as pessoas tenham a correta concepção de Cristo e Seu serviço. {CCn 73.3}
Se de fato representamos a Cristo, faremos com que Seu serviço se mostre mais atrativo, como na realidade é. Cristãos que enchem o coração de tristezas e pesares, e que vivem se queixando e se lamuriando, passam aos outros uma idéia falsa de Deus e da vida cristã. Dão a impressão de que Deus não Se agrada em ver Seus filhos felizes, apresentando assim um falso testemunho a respeito de nosso Pai celestial. {CCn 73.4}
Satanás exulta quando pode levar os filhos de Deus à incredulidade e ao desânimo. Deleita-se ao vê-los desconfiar de Deus e duvidar de Sua vontade e poder para salvar-nos. Encontra satisfação em fazer-nos pensar que o Senhor, com Suas providências, quer nos prejudicar. Seu objetivo é representar o Senhor como alguém sem nenhuma compaixão nem piedade. Ele deturpa a verdade a Seu respeito. Enche nossa imaginação com idéias falsas sobre Deus. Em vez de aceitarmos a verdade a respeito de nosso Pai celestial, muitas vezes fixamos nossa mente nas falsidades de Satanás. Dessa maneira, desonramos a Deus por não confiar nEle e contra Ele murmurar. Satanás está sempre buscando tornar sombria a vida religiosa. Seu desejo é fazer com que ela pareça trabalhosa e difícil. Quando o cristão apresenta essa visão da religião em sua vida, ele está confirmando, através de sua incredulidade, a falsidade de Satanás. {CCn 73.5}
Muitos, através da estrada da vida, têm o pensamento focalizado em seus erros, fracassos e desapontamentos, e assim enchem o coração de pesares e desânimo. Quando estive na Europa, uma irmã que agia dessa forma, e se achava muito angustiada, escreveu-me pedindo uma palavra de ânimo. Na noite seguinte à leitura dessa carta, sonhei que estava em um jardim, e aquele que parecia ser o proprietário do jardim me conduzia por ele. Eu apanhava flores e desfrutava de seu perfume quando aquela irmã, que caminhava ao meu lado, chamou minha atenção para alguns espinheiros que lhe atrapalhavam o caminho. Ali estava ela lamuriando-se e queixando-se. Não andava nas trilhas, seguindo nosso guia, mas caminhava entre os espinhos e cardos. “Ah!”, lamentava ela, “não é uma pena que este lindo jardim esteja estragado pelos espinhos?” Então, o guia disse: “Não dê importância aos espinhos, pois eles vão acabar lhe ferindo. Apanhe as rosas, os lírios e os cravos.” {CCn 74.1}
Não haverá alguns pontos brilhantes em sua experiência? Não terá experimentado preciosos momentos em que seu coração saltou de alegria em resposta ao Espírito de Deus? Ao olhar os capítulos da sua experiência de vida, será que você não vê algumas páginas agradáveis? Acaso não são as promessas de Deus como flores perfumosas que crescem a cada passo do seu caminho? Por que não deixar que sua beleza e suavidade encham seu coração de alegria? {CCn 74.2}
Os espinhos e cardos servem apenas para ferir e magoar. Se é isso que você colhe e apresenta aos outros, não estará, dessa maneira, desdenhando da bondade de Deus e impedindo os que estão ao seu redor de andar no caminho para a vida? {CCn 74.3}
Não há sabedoria em juntar todas as lembranças desagradáveis do passado — suas injustiças e decepções — e ficar se lamentando e falando sobre elas até que se sinta esmagado pelo desânimo. Uma pessoa desanimada acha-se envolta em trevas, impedindo assim que a luz de Deus brilhe sobre ela, ao mesmo tempo em que lança uma sombra sobre o caminho dos outros. {CCn 74.4}
Graças a Deus pelos refulgentes quadros com que nos presenteou. Juntemos todas as benditas promessas do Seu amor para que possamos contemplá-las continuamente. Estes são os quadros que Deus quer que contemplemos: o Filho de Deus deixando o trono do Seu Pai, tendo Sua natureza divina revestida com a natureza humana para que pudesse resgatar o homem do poder de Satanás; Seu triunfo em nosso favor, abrindo para o homem a porta do Céu e revelando aos olhos humanos o aposento onde a Divindade revela Sua glória; a raça caída tirada do abismo de ruína em que o pecado a lançou e novamente colocada em ligação com o Deus infinito, tendo, pela fé em nosso Redentor, passado pelo teste divino, sendo revestida da justiça de Cristo e exaltada ao Seu trono. {CCn 74.5}
Quando parecemos duvidar do amor de Deus e desconfiar de Suas promessas, nós O desonramos e entristecemos o Seu Santo Espírito. Como se sentiria uma mãe se os seus filhos estivessem sempre se queixando dela, como se ela não quisesse o seu bem, quando todos os esforços de sua vida têm como objetivo atender seus interesses e prover-lhes conforto? Suponha que eles assim duvidassem de seu amor. Certamente, isso lhe partiria o coração. Como se sentiria qualquer pai ao ser tratado dessa forma por seus filhos? E como nos verá o Pai celestial quando duvidamos do Seu amor para conosco, amor que O levou a dar Seu Filho unigênito para que pudéssemos ter vida? O apóstolo escreveu: “Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?” Romanos 8:32. Entretanto, quantos há que, por meio de seu modo de agir ou por suas palavras, estão dizendo: “Não é para mim que o Senhor diz isso. Talvez ame outros, mas não a mim.” {CCn 75.1}
Tudo isso prejudica a você, pois toda palavra de dúvida que pronuncia é um convite para as tentações de Satanás. Elas fortalecem sua tendência de duvidar e afastam de você os anjos ministradores. Ao ser tentado por Satanás, não deixe escapar uma só palavra sombria ou que expresse dúvida. Se você escolher abrir a porta para as sugestões do inimigo, sua mente se encherá de desconfiança e de questionamentos rebeldes. Se falar de seus sentimentos, cada dúvida que externar não somente influenciará a você mesmo, como também será uma semente que germinará e frutificará na vida dos demais. Talvez seja impossível neutralizar a influência de suas palavras. Você mesmo pode recuperar-se das tentações e dos ardis de Satanás, mas os outros, aqueles que tenham sofrido a sua influência, podem não ter oportunidade de livrar-se das dúvidas que você sugeriu. Como é importante que falemos somente aquilo que promove força espiritual e vida! {CCn 75.2}
Os anjos estão atentos para ouvir a espécie de relatório que você está mostrando ao mundo acerca do Mestre celestial. Que o tema da sua conversa seja Aquele que vive para fazer intercessão por você perante o Pai. Ao dar a mão a um amigo, que o louvor a Deus esteja em seus lábios e no coração. Isso conduzirá os pensamentos desse amigo para Jesus. {CCn 75.3}
Todos nós temos provações, pesares para suportar e tentações difíceis de resistir. Não conte para simples mortais suas dificuldades; leve-as a Deus em oração. Estabeleça como regra nunca pronunciar uma só palavra de dúvida ou desânimo. Você pode fazer muito para iluminar a vida de outros e fortalecer seus esforços através de palavras de esperança e de santo entusiasmo. {CCn 75.4}
Há muitas pessoas de coragem que se encontram dolorosamente opressas pela tentação, prestes a cair no conflito com o próprio eu e com as forças do mal. Não as desencoraje nessa luta tão árdua. Anime-as com palavras de encorajamento e esperança que as incentivem a permanecer no caminho. Desse modo, a luz de Cristo poderá resplandecer através de você. “Nenhum de nós vive para si mesmo”. Romanos 14:7. Por meio de sua inconsciente influência, outros podem ser motivados e fortalecidos, ou podem desanimar e alienar-se de Cristo e da verdade. {CCn 76.1}
Há muitos que têm uma idéia errônea sobre a vida e o caráter de Cristo. Pensam que Ele era desprovido de calor e animação, que era sério, severo e triste. Em muitos casos, a experiência religiosa é pintada dessa maneira sombria. {CCn 76.2}
Com freqüência, comenta-se que Jesus chorou, mas nunca O viram sorrindo. Nosso Salvador era, de fato, um Homem de dores, ciente do que é padecer, pois abriu o coração a todos os sofrimentos humanos. Embora sua vida fosse cheia de abnegação e marcada pela dor e pelas preocupações, Seu espírito não se abatia. Sua fisionomia não expressava desgosto ou descontentamento, mas sempre demonstrava uma paz serena. Seu coração era uma fonte de vida. Onde quer que fosse, levava descanso e paz, alegria e contentamento. {CCn 76.3}
Nosso Salvador era profundamente sério e intensamente zeloso, mas nunca sombrio ou entediado. A vida dos que O imitam deve ser plena de fervorosos propósitos. Eles exibirão um profundo senso de responsabilidade. Não darão lugar à leviandade, nem à alegria espalhafatosa, nem às grosserias. É a religião de Jesus que proporciona a perfeita paz. Ela não apaga a luz da alegria, não restringe o entusiasmo nem oculta um rosto radiante e sorridente. Cristo não veio para ser servido, mas para servir. Quando Seu amor está entronizado em nosso coração, seguimos o Seu exemplo. {CCn 76.4}
Se mantivermos em nossa mente a lembrança dos atos desagradáveis e injustos dos outros, pensaremos ser impossível amá-los como Cristo nos amou. Mas, se nossos pensamentos estiverem focalizados no maravilhoso amor e na misericórdia de Cristo por nós, esse mesmo espírito irradiará para os outros. Devemos amar e respeitar os outros, a despeito das falhas e imperfeições que não podemos deixar de notar. Devemos cultivar a humildade e desconfiar de nós mesmos. Devemos ter paciência com as faltas dos outros. Isso destruirá o egoísmo e nos dará um coração longânimo e generoso. {CCn 76.5}
Diz o salmista: “Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade”. Salmos 37:3. “Confia no Senhor.” Cada dia tem seus fardos, preocupações e dificuldades. Quando nos encontramos, prontamente começamos a falar sobre nossas dificuldades e provações. São tantos os problemas emprestados, tantos os medos abrigados, tantas as ansiedades expressadas, que nem parece que temos um Salvador misericordioso e amoroso, pronto a ouvir todas as nossas petições e a ser auxílio bem presente em tempo de necessidade. {CCn 76.6}
Algumas pessoas estão sempre com medo e envolvidas por dificuldades. A cada dia são cercadas de evidências do amor de Deus e desfrutam das riquezas de Sua providência, mas não estão atentas para as bênçãos presentes. Têm a mente voltada continuamente para as coisas desagradáveis que temem lhes sobrevir. Talvez até haja alguma dificuldade que, embora pequena, não permita que vejam as muitas coisas pelas quais devem ser gratas. As dificuldades que encontram, em vez de levar-lhes a Deus, sua única fonte de auxílio, os separam dEle, pois provocam inquietação e queixas. {CCn 77.1}
Acaso nos faz bem ser assim, incrédulos? Por que deveríamos ser ingratos e desconfiados? Jesus Cristo é nosso amigo; o Céu inteiro está interessado em nosso bem-estar. Não devemos permitir que as perplexidades e preocupações da vida diária nos obscureçam a mente e nos fechem o semblante. Se assim fizermos, teremos sempre alguma coisa a incomodar-nos e estressar-nos. Não devemos dar lugar à ansiedade, que nos deixa tristes e sem energia, e em nada nos ajuda a enfrentar as provações. Talvez seus negócios lhe causem preocupações e suas perspectivas sejam cada vez mais negativas. Pode ser que você esteja à beira da falência. Não desanime; entregue a Deus suas preocupações e permaneça calmo e animado. Ore pedindo sabedoria para administrar seus negócios de maneira prudente e, assim, evitar o prejuízo e o desastre. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para produzir resultados favoráveis. Jesus promete Seu auxílio, mas não dispensa nossos esforços. Quando houver feito o melhor possível — e depois de entregar suas preocupações a Deus — aceite, de bom grado, os resultados. {CCn 77.2}
Não é da vontade de Deus que Seu povo ande curvado pelo peso das preocupações. Apesar disso, o Senhor não nos engana. Ele não nos diz: “Não tenha medo, pois não existe perigo algum em seu caminho.” Ele sabe que há provações e perigos, e é sincero conosco. Não propõe tirar Seu povo de um mundo de pecado e maldade, mas indica-lhe um refúgio infalível. Sua oração pelos discípulos foi: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal”. João 17:15. “No mundo”, diz Ele, “passais por aflições; mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo”. João 16:33. {CCn 77.3}
No Sermão do Monte, Cristo ensinou a Seus discípulos lições preciosas acerca da necessidade de confiar em Deus. Essas lições foram dadas para animar os filhos de Deus através de todos os séculos, chegando até os dias atuais repletas de orientações e conforto. O Salvador apontou aos Seus seguidores as aves do céu, entoando seus gorjeios de louvor, totalmente alheias às preocupações, pois “não semeiam, não colhem”. E o grande Pai supre suas necessidades. O Salvador pergunta: “Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” Mateus 6:26. O grande Provedor dos homens e animais abre Sua mão e supre as necessidades de todas as Suas criaturas. As aves do céu não Lhe passam despercebidas. Não chega a colocar-lhes o alimento no bico, mas toma as providências necessárias para seu sustento. Elas têm que apanhar os grãos que Ele espalhou. Precisam preparar o material para construir o seu pequeno ninho. Precisam alimentar os filhotinhos. E, cantando, saem para suas tarefas, pois o “Pai celeste as sustenta”. E “não valeis vós muito mais do que as aves?” Não tem você, como adorador inteligente e espiritual, mais valor do que as aves do céu? Não irá o Autor da nossa existência, o Preservador da nossa vida, Aquele que nos formou à Sua própria e divina imagem suprir nossas necessidades, se apenas confiarmos nEle? {CCn 77.4}
Cristo apontou aos Seus discípulos as flores do campo. Elas cresciam em grande quantidade, resplandecentes na beleza simples concedida por Deus, sendo uma expressão do Seu amor para com o homem. “Considerai como crescem os lírios do campo”. Mateus 6:28. A beleza e simplicidade dessas flores naturais em muito superam o esplendor de Salomão. A vestimenta mais luxuosa confeccionada pelo mais hábil estilista não se compara à graça natural e radiante beleza das flores criadas por Deus. Jesus pergunta: “Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” Mateus 6:30. Se Deus, o divino Artista, dá às simples flores, que num dia perecem, as mais delicadas e variadas cores, não teria muito mais cuidado com aqueles que à Sua imagem são criados? A lição de Cristo é uma repreensão à ansiedade, à perplexidade e dúvida que existem no coração onde não há fé. {CCn 78.1}
O Senhor deseja que todos os Seus filhos e filhas sejam felizes, obedientes e tenham paz. Jesus diz: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. João 14:27. “Tenho-vos dito essas coisas para que o Meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo”. João 15:11. {CCn 78.2}
A felicidade que se busca por motivos egoístas, fora da trilha do dever, é desequilibrada, falsa e transitória. Ela passa, deixando o coração cheio de solidão e tristeza. No entanto, há alegria e satisfação no serviço de Deus, pois o cristão não é deixado nas incertezas do caminho nem abandonado aos desgostos e decepções. Mesmo sem participar dos prazeres desta vida, podemos ficar alegres ao contemplar a vida por vir. {CCn 78.3}
Mesmo aqui na Terra, os cristãos podem sentir a alegria da comunhão com Cristo; podem ter a luz do Seu amor e o perpétuo conforto da Sua presença. Cada passo na vida pode levar-nos para mais perto de Jesus, dar-nos uma experiência mais profunda com o Seu amor e colocar-nos um passo mais perto do bendito lar de paz. Não abandonemos, portanto, nossa confiança, mas estejamos firmes, mais firmes do que nunca. “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Samuel 7:12), e Ele nos ajudará até o fim. Olhemos para os monumentais pilares que nos fazem lembrar daquilo que o Senhor tem feito para confortar-nos e salvar-nos da mão do destruidor. Recordemo-nos das misericórdias que Deus tem-nos mostrado — as lágrimas que Ele enxugou, as dores que suavizou, as ansiedades que aliviou, os temores que dissipou, as necessidades que supriu, as bênçãos que derramou. Dessa maneira, Ele nos fortalece para tudo o que se colocar à nossa frente no que resta da nossa jornada. {CCn 78.4}
Não há como evitar novas perplexidades no iminente conflito, mas podemos olhar para o que passou, bem como para o que ainda está por vir, e dizer: “Até aqui nos ajudou o Senhor.” “Como os teus dias, durará a tua paz”. Deuteronômio 33:25. As provações não serão maiores que as forças dadas a nós para suportá-las. {CCn 79.1}
E, ao chegar aquele dia, os portões do Céu se abrirão para receber os filhos de Deus. Dos lábios do Rei da glória se fará ouvir a mais extraordinária das músicas: “Vinde, benditos de Meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. Mateus 25:34. {CCn 79.2}
Então, com alegria, os remidos serão recebidos no lar que Jesus lhes preparou. Ali, não terão a companhia de pessoas vis, de mentirosos, idólatras, impuros ou incrédulos, mas se associarão com os que venceram Satanás e, mediante a graça divina, formaram um caráter perfeito. Cada tendência pecaminosa e cada imperfeição que aqui os aflige serão removidas pelo sangue de Cristo; a excelência e brilho de Sua glória, a qual excede o brilho do sol, a eles serão comunicados. A beleza moral e a perfeição de Seu caráter, cujo valor é incomparavelmente superior à glória externa, brilham através deles. Encontram-se irrepreensíveis perante o grande trono branco, compartilhando a dignidade e o privilégio dos anjos. {CCn 79.3}
Em vista da gloriosa herança que poderá pertencer-lhe, “que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Mateus 16:26. Ainda que seja pobre, possui em si mesmo uma riqueza e dignidade que o mundo jamais poderá oferecer. A pessoa redimida e purificada do pecado, com todas as suas nobres faculdades dedicadas ao serviço de Deus, é de inestimável valor. Há alegria no Céu, na presença de Deus e dos santos anjos, quando um pecador é resgatado, e essa alegria é expressa em cânticos de santo triunfo. {CCn 79.4}

domingo, 12 de junho de 2016

12. A Certeza da Vitória - Caminho a Cristo


Muitas pessoas, especialmente aquelas que ainda são novas na vida cristã, por vezes ficam perturbadas por dúvidas. Existem na Bíblia muitas coisas que elas não conseguem explicar e nem mesmo entender, e Satanás as utiliza para abalar sua fé nas Escrituras como revelação de Deus. Elas perguntam: “Como saberei qual é o caminho certo? Se a Bíblia é, na verdade, a Palavra de Deus, como poderei livrar-me destas dúvidas e perplexidades?” {CCn 67.1}
Deus nunca pede que creiamos sem que nos dê suficientes provas sobre as quais possamos alicerçar nossa fé. Sua existência, Seu caráter e a veracidade de Sua Palavra se baseiam em testemunhos que falam à nossa razão; e esses testemunhos são numerosos. Apesar disso, Deus nunca removeu a possibilidade de dúvida. Nossa fé deve se basear em evidências, não em demonstrações. Os que desejam duvidar terão a oportunidade de fazê-lo, enquanto os que realmente desejam conhecer a verdade poderão encontrar muitas provas onde apoiar sua fé. {CCn 67.2}
É impossível para mentes finitas entender de maneira plena o caráter das obras dAquele que é Infinito. Para o intelecto mais esclarecido e a mente mais educada, o santo Ser ainda será um mistério. “Porventura, desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-poderoso? Como as alturas dos céus é a Sua sabedoria; que poderás fazer? Mais profunda é ela do que o abismo; que poderás saber?” Jó 11:7, 8. {CCn 67.3}
O apóstolo Paulo exclama: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis, os Seus caminhos!”. Romanos 11:33. Mas, embora nuvens e escuridão O rodeiem, “justiça e juízo são a base do Seu trono”. Salmos 97:2. Ao compreendermos Sua conduta para conosco e os motivos que O levam a agir, podemos ser levados a reconhecer amor e misericórdia sem limites, unidos a um infinito poder. Podemos entender Seus propósitos na medida do necessário, e para o nosso próprio bem. Quanto ao mais, devemos confiar na onipotente mão e no coração repleto de amor. {CCn 67.4}
A Palavra de Deus, assim como o caráter do seu divino Autor, apresenta mistérios que jamais poderão ser plenamente compreendidos por seres finitos. A entrada do pecado no mundo, a encarnação de Cristo, a regeneração, a ressurreição e muitos outros assuntos apresentados na Bíblia são mistérios por demais profundos para a mente humana explicar ou mesmo entender plenamente. Não temos, porém, razões para duvidar da Palavra de Deus, pois não entendemos os mistérios de Sua providência. No mundo natural, somos constantemente cercados de mistérios que não conseguimos desvendar. Mesmo as formas mais simples de vida apresentam um problema que o mais sábio dos filósofos é incapaz de explicar. Por toda parte há maravilhas que estão além da nossa compreensão. Deveríamos, então, nos surpreender ao vermos que no mundo espiritual também existem mistérios que não podemos desvendar? A dificuldade está na debilidade e na pequenez da mente humana. Deus nos deu, nas Escrituras, provas suficientes do seu caráter divino, e não devemos duvidar da Sua Palavra pelo fato de não podermos compreender todos os mistérios de Sua providência. {CCn 67.5}
O apóstolo Pedro diz que existem nas Escrituras “certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam [...] para a própria destruição deles”. 2 Pedro 3:16. As dificuldades das Escrituras têm sido apresentadas pelos céticos como um argumento contra a Bíblia; longe disso, todavia, elas constituem uma forte evidência de sua inspiração divina. Se elas apenas apresentassem uma descrição do Senhor que pudéssemos facilmente entender; se a Sua grandeza e majestade pudessem ser compreendidas pela finita mente humana, então a Bíblia não teria as inequívocas credenciais da autoridade divina. A própria grandeza e mistério dos temas ali apresentados devem inspirar no leitor a crença de que ela é a Palavra de Deus. {CCn 68.1}
A Bíblia revela a verdade de uma maneira tão simples, e se adapta tanto às necessidades e anseios do coração humano que, ao mesmo tempo em que deixa os mais inteligentes surpresos e admirados, também capacita humildes e ignorantes a discernir o caminho para a salvação. Apesar disso, essas verdades apresentadas de maneira simples se relacionam com assuntos tão elevados e de alcance tão vasto, tão infinitamente além da capacidade de compreensão humana, que podemos aceitá-las somente porque foi o próprio Deus quem as declarou. É assim que o plano da redenção é posto diante de nós — para que todos possam ver os passos que devem dar em arrependimento para com Deus e fé para com nosso Senhor Jesus Cristo, para que possam ser salvos pela maneira indicada por Deus. Sob essas verdades tão facilmente compreendidas, encontram-se mistérios que são o esconderijo de Sua glória — mistérios que vão além da capacidade de compreensão da mente humana, mas que inspiram aquele que, com sinceridade, busca a verdade com reverência e fé. Quanto mais ele estuda a Bíblia, mais profunda é sua convicção de que ela é a palavra do Deus vivo, e a razão humana se dobra perante a majestade da revelação divina. {CCn 68.2}
Ao reconhecermos que não podemos compreender plenamente as grandes verdades da Bíblia, estamos apenas admitindo que uma mente finita é inadequada para entender o infinito, e que o homem, com seu conhecimento limitado, não pode compreender os propósitos do Onisciente. {CCn 68.3}
Por não poderem discernir todos os seus mistérios, o cético e o infiel rejeitam a Palavra de Deus. Nem todos os que dizem crer na Bíblia estão livres do perigo, nesse ponto. Diz o apóstolo: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo”. Hebreus 3:12. É correto estudar detidamente os ensinamentos da Bíblia e pesquisar “as profundezas de Deus” (1 Coríntios 2:10) até onde nos são reveladas na Escritura. Embora “as coisas encobertas” pertençam ao Senhor, as coisas reveladas “nos pertencem”. Deuteronômio 29:29. O objetivo de Satanás, todavia, é perverter a capacidade investigadora da mente. Mescla-se um certo orgulho com o estudo da verdade bíblica, de modo que a pessoa sente-se impaciente e fracassada se não puder explicar, como gostaria, cada parte da Escritura. Para ela, é muito humilhante reconhecer que não entende as palavras inspiradas. Não está disposta a esperar pacientemente até que Deus ache conveniente revelar-lhe a verdade. Acredita que sua sabedoria humana é suficiente para capacitá-la a compreender a Escritura, sem necessidade de ajuda. Ao fracassar, nega-lhe a autoridade. É verdade que muitas teorias e doutrinas populares que, supostamente, derivam da Bíblia não se fundamentam em seus ensinos, sendo, na realidade, contrárias ao que se aceita como inspiração. Isso tem sido uma causa de dúvida e confusão para muitas pessoas. Não se pode, entretanto, atribuir a causa disso à Palavra de Deus, mas sim ao fato de ter sido pervertida pelo homem. {CCn 69.1}
Se fosse possível para os seres criados atingir o pleno entendimento de Deus e de Suas obras, então, tendo chegado a esse ponto, não haveria para eles outras descobertas sobre a verdade, nenhum crescimento no saber, nem tampouco um maior desenvolvimento da mente e do coração. Deus deixaria de ser Supremo; o homem, havendo chegado ao limite do conhecimento e de suas realizações, deixaria de avançar. Graças a Deus que não é assim. Deus é infinito; nEle estão “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. Colossences 2:3. Por toda a eternidade o ser humano poderá pesquisar e aprender, e nunca irá exaurir os tesouros da Sua sabedoria, bondade e poder. {CCn 69.2}
Deus deseja que, mesmo nesta vida, as verdades de Sua Palavra sejam reveladas para o Seu povo. Existe apenas uma maneira de se conseguir esse conhecimento. Somente por meio da iluminação do Espírito através do qual a Palavra foi dada é que podemos atingir um entendimento da Palavra de Deus. {CCn 69.3}
“As coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”; “porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”. 1 Coríntios 2:11, 10. E a promessa do Salvador para os Seus seguidores foi: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade”; Ele “há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar”. João 16:13, 14. {CCn 69.4}
Deus deseja que o homem exercite o raciocínio; como nenhum outro, o estudo da Bíblia fortalece e aumenta a capacidade da mente. Devemos cuidar, entretanto, para não endeusar a razão, pois ela está sujeita às fraquezas e enfermidades humanas. Se não quisermos que as Escrituras estejam veladas ao nosso entendimento, sem que possamos compreender suas mais simples verdades, é preciso que tenhamos a simplicidade e a fé de uma criança, estando dispostos a aprender e a rogar pelo auxílio do Espírito Santo. A consciência do poder e da sabedoria de Deus, bem como da nossa incapacidade de compreender Sua grandeza, deve promover em nós um espírito de humildade. Devemos abrir Sua palavra com reverência, como se estivéssemos em Sua presença. Ao lermos a Bíblia, a razão deve reconhecer uma autoridade superior a si própria, e o coração e a inteligência devem se curvar perante o grande EU SOU. {CCn 70.1}
Existem muitas coisas aparentemente difíceis ou obscuras, as quais Deus tornará claras e simples aos que busquem entendê-las. Sem a orientação do Espírito Santo, porém, estaremos continuamente sujeitos a distorcer as Escrituras ou a interpretá-las erroneamente. Muitas vezes, lê-se a Bíblia sem que haja qualquer proveito. Em muitos casos, essa leitura é até perniciosa. Quando a Palavra de Deus é aberta sem reverência e oração, quando os pensamentos e as afeições não estão centralizados em Deus nem em harmonia com Sua vontade, a mente fica obscurecida pelas dúvidas. O próprio estudo da Bíblia fortalece o ceticismo. O inimigo apodera-se dos pensamentos e sugere interpretações incorretas. Sempre que os homens não buscam, por palavras e atos, estar em harmonia com Deus, por mais preparados que sejam, estão sempre sujeitos a errar em sua compreensão das Escrituras. Não é seguro confiar em suas explicações. Os que abrem as Escrituras para encontrar discrepâncias não têm conhecimento espiritual. Com sua visão distorcida, verão muitas razões para dúvida e descrença em coisas que são realmente claras e simples. {CCn 70.2}
Por mais que disfarcem, a verdadeira causa para a dúvida e o ceticismo é, na maioria das vezes, o amor ao pecado. Os ensinos e as restrições da Palavra de Deus não agradam ao coração orgulhoso e amante do pecado, e os que não estão dispostos a obedecer a seus preceitos são os primeiros a duvidar de sua autoridade. A fim de chegar à verdade, devemos ter um desejo sincero de conhecer a verdade. O coração tem que estar disposto a obedecer-lhe. Todos os que, com esse espírito, estudarem a Bíblia encontrarão abundantes evidências de que ela é a Palavra de Deus, e poderão obter uma compreensão de suas verdades que os tornará sábios para a salvação. {CCn 70.3}
Cristo disse: “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, conhecerá a respeito da doutrina”. João 7:17. Em vez de discutir e especular a respeito de coisas que você não entende, deixe que brilhe a luz que já lhe foi dada, e você receberá mais luz. Pela graça de Cristo, desempenhe os deveres que já conhece, e será capacitado a entender e a desempenhar aqueles sobre os quais ainda tem dúvida. {CCn 70.4}
Há uma prova que está ao alcance de todos, desde o mais culto ao mais iletrado — a prova da experiência. Deus nos convida a provar por nós mesmos a realidade da Sua Palavra e a verdade de Suas promessas. Ele nos convida: “Provai e vede que o Senhor é bom”. Salmos 34:8. Em vez de depender da palavra de outra pessoa, devemos provar por nós mesmos. Ele declara: “Pedi, e recebereis”. João 16:24. Suas promessas serão cumpridas. Nunca falharam e jamais falharão. À medida que nos aproximarmos de Jesus e nos alegrarmos na plenitude do Seu amor, nossas dúvidas e incertezas desaparecerão à luz de Sua presença. {CCn 71.1}
O apóstolo Paulo diz que Deus “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor”. Colossences 1:13. E todo aquele que passou da morte para a vida é capaz de certificar “que Deus é verdadeiro”. João 3:33. Pode dar seu testemunho: “Precisei de ajuda, e a encontrei em Jesus. Todas as minhas necessidades foram supridas, minha fome espiritual foi satisfeita; agora, a Bíblia é, para mim, a revelação de Jesus Cristo. Você pergunta por que creio em Jesus? Eu respondo: Porque Ele é meu divino Salvador. Por que creio na Bíblia? Porque descobri que ela é a voz de Deus falando ao meu coração.” Podemos ter em nós mesmos o testemunho de que a Bíblia é verdadeira e de que Cristo é o Filho de Deus. Sabemos que não temos seguido fábulas recheadas de falsidades. {CCn 71.2}
Pedro recomendou aos irmãos que crescessem “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. 2 Pedro 3:18. Na medida em que o povo de Deus estiver crescendo na graça, obterá de maneira constante uma compreensão mais clara da Sua Palavra. Discernirá nova luz e beleza em suas verdades sagradas. Isso tem sido verdade na história da igreja em todas as épocas, e assim será até o fim. “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Provérbios 4:18. {CCn 71.3}
Pela fé, podemos olhar para o que ainda há de vir, e vislumbrar a promessa de Deus quanto ao desenvolvimento intelectual, unindo as faculdades humanas às divinas, e pondo todas as habilidades em contato direto com a Fonte da luz. Podemos alegrar-nos porque tudo aquilo que tenha restado confuso nas providências de Deus será esclarecido. As coisas difíceis de entender terão uma explicação. Onde nossa mente via apenas confusão e propósitos desconexos, veremos a harmonia mais perfeita e bela. “Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido”. 1 Coríntios 13:12. {CCn 71.4}

sábado, 11 de junho de 2016

11. O Privilégio de Falar com Deus - Caminho a Cristo


É através da natureza, da revelação, de Sua providência e da influência do Seu Espírito que Deus nos fala. Mas isso não é suficiente; precisamos também entregar-Lhe o nosso coração. A fim de que tenhamos vida e energia espiritual, devemos ter uma relação viva com nosso Pai celestial. Podemos ter nossa mente atraída para Ele; podemos meditar em Suas obras, Sua misericórdia, Suas bênçãos; em um sentido mais amplo, todavia, isso não é comungar com Ele. Para comungar com Deus, devemos ter alguma coisa para dizer-Lhe a respeito da nossa vida. {CCn 59.1}
A oração é o abrir do coração a Deus como a um amigo. Não que isso seja necessário para que Deus saiba quem somos, mas para nos habilitar a recebê-Lo. A oração não faz Deus descer até nós, mas eleva-nos a Ele. {CCn 59.2}
Quando esteve na Terra, Jesus ensinou Seus discípulos a orar. Ele os instruiu a apresentar suas necessidades diárias perante Deus, e a lançar sobre Ele todas as suas preocupações. A certeza que lhes deu de que suas petições seriam ouvidas nos é dada também. {CCn 59.3}
O próprio Jesus, quando esteve na Terra, estava em constante oração. O Salvador identificou-Se com nossas necessidades e fraquezas, a ponto de tornar-Se um suplicante, buscando no Pai novos suprimentos de força, a fim de que pudesse sair fortalecido para enfrentar Seus deveres e provações. Ele é nosso exemplo em todas as coisas. É um irmão em nossas fraquezas, pois “como nós, em tudo foi tentado”, mas sendo Aquele que nunca pecou, Sua natureza repelia o mal. Ele suportava as lutas e torturas de um mundo cheio de pecado. Sua humanidade fez da oração uma necessidade e um privilégio. Encontrava conforto e alegria na comunhão com o Pai. E se o Salvador da raça humana, o Filho de Deus, sentia a necessidade de oração, quanto mais deveriam frágeis e mortais pecadores sentir a necessidade de constante e fervorosa oração. {CCn 59.4}
Nosso Pai celestial deseja derramar sobre nós a plenitude de Suas bênçãos. É nosso privilégio beber em grande medida da fonte de amor ilimitado. É surpreendente notar que oramos tão pouco! Deus está pronto e sempre disposto a ouvir a oração sincera do mais humilde de Seus filhos, e, apesar disso, há tanta relutância da nossa parte para levar-Lhe nossas necessidades. O que pensarão os anjos celestiais desses pobres homens e mulheres, seres sujeitos à tentação, quando o coração de Deus, infinito em amor, inclina-se para eles, pronto a dar-lhes mais do que podem pedir ou pensar, e eles oram tão pouco e têm uma fé tão pequenina? Os anjos se comprazem em prostrar-se diante de Deus e ficar perto dEle. Eles consideram a comunhão com Deus sua maior alegria. Contudo, os habitantes da Terra, que tanto precisam da ajuda que somente Deus pode dar, parecem satisfeitos em andar sem a luz do Seu Espírito e a companhia de Sua presença. {CCn 59.5}
As trevas do maligno envolvem os que negligenciam a oração. As tentações sussurradas pelo inimigo os levam a pecar; e tudo isso porque não se utilizam dos privilégios que Deus lhes deu, os quais advêm da oração. Por que deveriam os filhos e filhas de Deus ser relutantes em orar, quando a oração é a chave nas mãos do crente para abrir os depósitos do Céu, onde estão armazenados os ilimitados recursos da Onipotência? Sem oração constante e perseverante vigilância, corremos o risco de ficar cada vez mais descuidados, e de desviar-nos do caminho reto. O adversário procura continuamente obstruir o caminho para o trono de misericórdia para que não obtenhamos, por meio da súplica e fé, graça e poder para resistir à tentação. {CCn 60.1}
Existem certas condições para que possamos esperar que Deus ouça e responda nossas orações. Uma das primeiras é sentir nossa necessidade do Seu auxílio. Ele prometeu: “Derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca”. Isaías 44:3. Os que têm fome e sede de justiça, os que anseiam por Deus, podem estar certos de que serão satisfeitos. O coração deve abrir-se à influência do Espírito, ou não receberá as bênçãos de Deus. {CCn 60.2}
Nossa grande necessidade é, por si mesma, um argumento, e intercede eloqüentemente em nosso favor. Mas é necessário que busquemos ao Senhor para que Ele faça essas coisas por nós. Ele diz: “Pedi, e dar-se-vos-á”. Mateus 7:7. E “Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?” Romanos 8:32. {CCn 60.3}
Se mantivermos iniqüidade em nosso coração, se nos apegarmos a algum pecado de maneira consciente, o Senhor não nos ouvirá; mas a oração que vem do coração arrependido e contrito será sempre aceita. Quando todas as faltas conhecidas forem corrigidas, podemos acreditar que Deus responderá nossos pedidos. Nossos próprios méritos jamais nos recomendarão ao favor de Deus; é o mérito de Jesus que nos salvará, Seu sangue é que nos purificará. Uma parte, todavia, temos que desempenhar para cumprir as condições da aceitação. {CCn 60.4}
Outro elemento da oração perseverante é a fé. “É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que Se torna galardoador dos que O buscam”. Hebreus 11:6. Disse Jesus aos Seus discípulos: “Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco”. Marcos 11:24. Aceitamos verdadeiramente essa oferta? {CCn 60.5}
A certeza é ampla e ilimitada. Aquele que prometeu é fiel. Se não recebemos as coisas que pedimos, e no tempo desejado, é porque ainda não cremos que o Senhor ouve e responde nossas orações. Temos tantas falhas, somos tão míopes, que às vezes pedimos coisas que não serão bênçãos para nós, e nosso Pai celestial, por amar-nos, responde nossas orações dando-nos aquilo que será para o nosso maior bem — aquilo que nós mesmos desejaríamos, se nossa visão fosse divinamente iluminada e pudéssemos ver todas as coisas como elas realmente são. Quando nossas orações parecem não ter resposta, devemos apegar-nos à promessa, pois o momento da resposta chegará e receberemos a bênção de que mais necessitamos. Entretanto, dizer que a oração sempre será respondida do jeito que desejamos é presunção. Deus é demasiadamente sábio para errar e extremamente bom para deixar de conceder o melhor aos que andam em retidão. Por isso, não tenha medo de confiar nEle, mesmo que não veja resposta imediata para suas orações. Apóie-se sobre Sua fiel promessa: “Pedi, e dar-se-vos-á.” {CCn 61.1}
Se dermos lugar a nossas dúvidas e medos, ou tentarmos resolver tudo aquilo que não vemos claramente, antes de ter fé, as perplexidades apenas aumentarão e se aprofundarão. Mas se nos voltarmos para Deus tal como somos, convencidos do nosso desamparo e dependência; se, com humildade e confiante fé, levarmos nossas necessidades Àquele cujo conhecimento é infinito, que tudo vê em Sua criação e que tudo governa por Sua vontade e palavra, então Ele atenderá nosso clamor e fará com que Sua luz brilhe em nosso coração. Por meio da oração sincera, somos ligados com a mente do Infinito. Pode ser que não vejamos as fortes evidências ao contemplarmos o rosto do nosso Redentor, ao Ele curvar-Se sobre nós em compaixão e amor, mas é isso que realmente acontece. Podemos não sentir o Seu toque, mas Sua mão compassiva e amorosa está sobre nós. {CCn 61.2}
Quando vamos a Deus para pedir-Lhe misericórdia e bênçãos, devemos ter um espírito de amor e perdão em nosso coração. Como podemos orar “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12), se alimentamos um espírito incapaz de perdoar? Se esperamos que nossas orações sejam ouvidas, devemos perdoar os outros da mesma maneira que esperamos ser perdoados. {CCn 61.3}
Perseverar em oração é a condição para receber. Devemos orar sempre, se quisermos crescer em nossa fé e experiência. Devemos ser perseverantes na oração (Romanos 12:12) e vigiar “com ações de graças”. Colossences 4:2. Pedro exorta os crentes a serem “sóbrios a bem das vossas orações”. 1 Pedro 4:7. Paulo orienta: “Sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça”. Filipenses 4:6. “Vós, porém, amados”, diz Judas, “orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus”. Judas 20, 21. A oração incessante é a inquebrantável união da alma com Deus, para que a vida que vem de Deus flua para a nossa vida; e, da nossa vida, pureza e santidade fluam de volta para Deus. {CCn 61.4}
É necessário que sejamos diligentes em orar; não permita que nada o atrapalhe. Faça todo esforço para manter ativa a comunhão entre Jesus e o seu próprio coração. Aproveite todas as oportunidades para ir aonde se costuma orar. Os que estão realmente buscando comungar com Deus serão vistos em reuniões de oração, fiéis ao seu dever, fervorosos e ansiosos para colher todos os benefícios possíveis. Aperfeiçoarão cada oportunidade de colocar-se onde possam receber os raios de luz do Céu. {CCn 62.1}
Devemos orar em família, mas, acima de tudo, não devemos negligenciar a oração secreta, pois é ela que sustenta nossa vida espiritual. É impossível que a espiritualidade de uma pessoa floresça se a oração for negligenciada. Não basta orar em família e em público. Sozinho, abra o coração aos olhos perscrutadores de Deus. A oração secreta deve ser ouvida unicamente por Ele — Aquele que ouve toda oração. Nenhum ouvido curioso deve receber o fardo dessas preces. Na oração secreta, a mente fica livre das influências do ambiente, livre da agitação. De uma maneira calma, embora fervorosa, você poderá buscar a Deus. A influência que vem dAquele que vê em segredo será suave e constante. Seu ouvido está aberto para ouvir a prece que vem do coração. Pela fé simples e serena, a mente entra em comunhão com Deus, e reúne os raios da luz divina para dar-lhe forças e sustentá-lo no conflito contra Satanás. Deus é nossa fortaleza. {CCn 62.2}
Ore em seu aposento particular. Durante os seus afazeres diários, deixe que o coração se eleve a Deus. Era assim que Enoque andava com Deus. Essas orações silenciosas sobem como precioso incenso até o trono da graça. Satanás não pode vencer aquele cujo coração está arraigado em Deus. {CCn 62.3}
Não há tempo nem lugares impróprios para apresentar uma petição a Deus. Nada há que possa impedir-nos de elevar o coração no espírito de uma oração sincera. Na rua, em meio à multidão, numa reunião de negócios, podemos elevar uma prece a Deus pedindo orientação divina, assim como fez Neemias ao apresentar sua solicitação perante o rei Artaxerxes. Um ambiente adequado à comunhão pode ser encontrado onde quer que estejamos. Devemos manter continuamente aberta a porta de nosso coração e pedir que Jesus venha habitá-lo como nosso hóspede celestial. {CCn 62.4}
Embora possa haver uma atmosfera maculada e corrupta ao nosso redor, não temos que respirar seus odores fétidos. Em vez disso, podemos viver no ar puro do Céu. Poderemos fechar a porta para a imaginação impura e os pensamentos não santificados se levarmos nosso coração à presença de Deus por meio da oração sincera. Aqueles cujo coração estiver aberto para receber o apoio e a bênção de Deus andarão em uma atmosfera mais santa do que a da Terra e manterão comunhão constante com o Céu. {CCn 62.5}
Necessitamos ter uma visão mais clara de Jesus e uma compreensão mais ampla do valor das realidades eternas. A beleza da santidade deve encher o coração dos filhos de Deus. Para conseguirmos isso, devemos buscar as divinas revelações das coisas celestiais. {CCn 63.1}
Que o nosso coração se abra e se eleve; que Deus possa propiciar-nos um vislumbre da atmosfera celestial. Devemos manter-nos tão perto de Deus que, em cada provação inesperada, nossos pensamentos se voltem para Ele tão naturalmente quanto a flor se volta para o Sol. {CCn 63.2}
Leve suas necessidades, alegrias, tristezas, preocupações e temores a Deus. Você não conseguirá sobrecarregá-Lo, nem deixá-Lo cansado. Aquele que conta os cabelos de sua cabeça não é indiferente às necessidades de Seus filhos. “O Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo”. Tiago 5:11. Seu coração cheio de amor se enternece com nossas tristezas, até mesmo quando as pronunciamos. Entregue a Ele todas as coisas que perturbam sua mente. Coisa alguma é grande demais para que Ele não possa suportar, pois é Ele quem mantém os mundos e governa o Universo. Nada daquilo que, de alguma forma, diz respeito a nossa paz é pequeno demais para que Ele não note. Não há um só capítulo da nossa existência que seja demasiado escuro para que Ele não possa ler, nem dificuldade alguma tão complicada que não possa resolver. Nenhuma calamidade poderá sobrevir ao mais humilde dos Seus filhos, ansiedade alguma que lhe perturbe a alma, nenhuma alegria que possa ter, nenhuma oração sincera que lhe escape dos lábios, sem que seja observada pelo Pai celestial, ou sem que Lhe desperte imediato interesse. “O Senhor [...] sara os de coração quebrantado e lhes pensa as feridas”. Salmos 147:2, 3. As relações entre Deus e cada pessoa são tão particulares e plenas que é como se não houvesse nenhuma outra por quem tivesse dado Seu Filho amado. {CCn 63.3}
Jesus disse: “Pedireis em Meu nome; e não vos digo que rogarei ao Pai por vós. Porque o próprio Pai vos ama.” “Eu vos escolhi a vós outros [...] a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda”. João 16:26, 27; 15:16. Orar em nome de Jesus, todavia, é mais do que simplesmente mencionar esse nome no começo e no fim da oração. É orar segundo a mente e o espírito de Jesus, crendo em Suas promessas, confiando em Sua graça e fazendo Suas obras. {CCn 63.4}
Deus não espera que nos tornemos eremitas ou monges e que nos isolemos do mundo a fim de tornar-nos interessados em atos de adoração. Nossa vida deve ser igual à de Cristo, nos dividindo entre o monte da oração e o contato com as multidões. Aquele que nada faz além de orar em breve abandonará essa prática; suas orações acabarão se tornando uma formalidade rotineira. Quando as pessoas se afastam da vida em sociedade e ficam distantes da esfera do dever cristão, deixando de levar sua cruz; quando deixam de trabalhar de maneira dedicada pelo Mestre, Aquele que por elas Se entregou, acabam perdendo o objetivo essencial da oração e o estímulo à devoção. Suas orações se tornam pessoais e egoístas. Não conseguem orar em favor das necessidades dos outros nem pelo estabelecimento do reino de Cristo. {CCn 63.5}
Sofremos uma perda quando negligenciamos o privilégio de reunir-nos para fortalecer e animar uns aos outros no serviço de Deus. As verdades da Sua Palavra perdem o atrativo e a importância para nossa mente. Nosso coração deixa de ser iluminado e comovido por Sua influência santificadora, e nossa espiritualidade declina. Perdemos muito em nossas relações como cristãos por falta de simpatia um pelos outros. Aquele que se fecha em si mesmo não está preenchendo a posição designada por Deus. O cultivo adequado dos elementos sociais de nossa natureza desenvolve a simpatia de uns em relação aos outros e é uma maneira de nos fazer crescer e fortalecer-nos para o serviço de Deus. {CCn 64.1}
Se os cristãos estivessem unidos e falassem uns com os outros sobre o amor de Deus e as preciosas verdades da redenção, seu coração seria renovado e ajudariam uns aos outros. Devemos aprender diariamente de nosso Pai celestial, e dEle sempre obter uma nova experiência de Sua graça; só então desejaremos falar de Seu amor. Ao assim fazermos, nosso próprio coração ficará confortado e animado. Se pensarmos e falarmos mais de Jesus, e menos do próprio eu, teremos muito mais de Sua presença conosco. {CCn 64.2}
Se pensássemos em Deus tantas vezes quantas percebemos as evidências de Seu cuidado por nós, O teríamos sempre em nossos pensamentos e nos deleitaríamos em falar dEle e em louvá-Lo. Falamos de coisas materiais porque nisso temos interesse. Falamos de nossos amigos, pois os amamos; com eles partilhamos nossas alegrias e tristezas. Temos, no entanto, razões muito maiores para amar mais a Deus do que aos nossos amigos terrestres. Deveria ser a coisa mais natural do mundo fazer dEle o primeiro em todos os nossos pensamentos, falar de Sua bondade e contar aos outros do Seu poder. Os ricos dons que Ele derramou sobre nós não deveriam absorver nossos pensamentos nem tampouco nosso amor, de modo que nada tivéssemos para dedicar a Deus. Esses dons devem constantemente fazer com que nos lembremos dEle, ligando-nos com laços de amor e gratidão ao nosso celestial Benfeitor. Estamos por demais arraigados a esta Terra. Levantemos nosso olhar para a porta aberta do santuário celestial, onde a luz da glória de Deus resplandece na face de Cristo, que “pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus”. Hebreus 7:25. {CCn 64.3}
Precisamos louvar mais a Deus “por Sua bondade e por Suas maravilhas para com os filhos dos homens”. Salmos 107:8. Nossas atividades devocionais não deveriam se resumir a pedir e receber. Não pensemos apenas naquilo que precisamos, e nunca nos benefícios que recebemos. Não oramos muito, mas somos ainda mais econômicos em dar graças. Estamos continuamente recebendo as misericórdias divinas e, no entanto, quão pouca gratidão expressamos, quão pouco O louvamos pelo que fez por nós. {CCn 64.4}
Deus instruiu o povo de Israel, no passado, ao se reunir para o culto ao Senhor: “Lá, comereis perante o Senhor, vosso Deus, e vos alegrareis em tudo o que fizerdes, vós e as vossas casas, no que vos tiver abençoado o Senhor, vosso Deus”. Deuteronômio 12:7. Aquilo que é feito para a glória de Deus deve ser feito com alegria, cânticos de louvor e ações de graça, não com tristeza e aspecto sombrio. {CCn 65.1}
Nosso Deus é um Pai amoroso e misericordioso. Os cultos a Ele dedicados não deveriam ser vistos como uma atividade triste e cansativa. Louvar ao Senhor e desempenhar uma parte em Sua obra devem ser um prazer. Deus não quer que Seus filhos, para quem proveu tão grande salvação, ajam como se Ele fosse um chefe duro e exigente. Ele é seu melhor amigo, e deseja relacionar-Se com Seus filhos quando vão adorá-Lo para abençoá-los, confortá-los e encher seu coração de alegria e amor. O Senhor deseja que Seus filhos encontrem conforto ao servi-Lo, e mais prazer do que dificuldades em Seu trabalho. Ele deseja que aqueles que O adoram levem consigo os preciosos pensamentos sobre Seu cuidado e amor, para que possam estar animados em todas as ocupações da vida diária, e recebam a graça necessária para lidar sincera e fielmente com todas as coisas. {CCn 65.2}
Precisamos reunir-nos em torno da cruz. O Cristo crucificado deve ser o tema de nossas meditações, de nossas conversas, e de nossas mais alegres emoções. Devemos ter em mente cada bênção que recebemos de Deus. Ao percebermos Seu grande amor, devemos estar dispostos a confiar tudo nas mãos que foram, por nós, cravadas na cruz. {CCn 65.3}
Nas asas do louvor, o coração pode elevar-se para mais perto do Céu. Deus é adorado com cânticos e música nas cortes celestiais. Ao expressarmos nossa gratidão, estamos nos aproximando do culto das hostes celestiais. “O que Me oferece sacrifício de ações de graças, esse Me glorificará”. Salmos 50:23. Cheguemos, pois, com reverente alegria perante nosso Criador, e com “ações de graça e som de música”. Isaías 51:3. {CCn 65.4}

sexta-feira, 10 de junho de 2016

10. O Conhecimento de Deus - Caminho a Cristo


São muitas as maneiras com que Deus está procurando revelar-Se para nós e colocar-nos em comunhão com Ele. Sem cessar, a natureza fala aos nossos sentidos. O coração aberto será impressionado pelo amor e glória de Deus revelados através das obras de Suas mãos. O ouvido atento pode ouvir e entender os comunicados de Deus através das coisas da natureza. Os campos verdejantes, as árvores frondosas, as flores em botão, as nuvens passageiras, a chuva, o córrego sussurrante, as glórias dos Céus, tudo isso fala ao nosso coração e nos convida a conhecer Aquele que tudo criou. {CCn 53.1}
Nosso Salvador enriquecia Seus preciosos ensinos com coisas da natureza. As árvores, os pássaros, as flores dos vales, as colinas, os lagos e o lindo céu, bem como os incidentes e o ambiente da vida diária, tinham conexão com as palavras da verdade, de modo que Suas lições pudessem sempre ser lembradas, mesmo em meio às preocupações e cuidados da vida. {CCn 53.2}
Deus queria que Seus filhos apreciassem Suas obras e que se deleitassem na beleza simples e tranquila com a qual Ele enfeitou nosso lar terrestre. Ele é um amante do que é belo e, acima daquilo que é exteriormente atrativo, Ele ama a beleza do caráter; e deseja que cultivemos a pureza e a simplicidade, como a beleza singela das flores. {CCn 53.3}
Basta que estejamos atentos, e as obras criadas por Deus nos ensinarão lições preciosas de obediência e confiança. Desde as estrelas que, em seus inexplicáveis trajetos através do espaço, percorrem, século após século, os caminhos a elas designados, até o minúsculo átomo, as coisas da natureza obedecem à vontade do Criador. E Deus cuida de tudo e sustenta tudo o que criou. Aquele que mantém os incontáveis mundos através da imensidão do Universo também Se preocupa com as necessidades do pequeno pardal que, sem qualquer temor, eleva seus humildes gorjeios. Quando as pessoas saem para trabalhar, quando se entregam à oração, quando se deitam à noite para dormir e quando se levantam pela manhã; quando o rico dá uma festa em sua mansão ou quando o pobre reúne seus filhos em volta de uma mesa escassa, em qualquer situação, o Pai celestial observa com ternura cada um dos Seus filhos. Nenhuma lágrima é derramada sem que Deus saiba. Não há sorriso que Ele não perceba. {CCn 53.4}
Se acreditássemos plenamente nisso, todas as ansiedades indevidas desapareceriam. Nossa vida não seria cheia de decepções como agora, pois todas as coisas, grandes ou pequenas, seriam entregues nas mãos de Deus, e Ele não fica perplexo por múltiplas preocupações, nem subjugado por seu peso. Poderíamos, então, desfrutar o descanso que muitos de nós, já faz muito, não encontramos. {CCn 54.1}
Enquanto nos deleitamos com as atraentes belezas da Terra, pensemos no mundo por vir, no qual jamais entrarão o pecado e a morte; onde a natureza nunca mais exibirá uma sombra da maldição. Imagine-se no lar dos que foram salvos, e lembre-se de que ele será mais glorioso do que a mais brilhante imaginação possa retratar. Nos variados dons de Deus vistos na natureza, vemos apenas um tênue fulgor de Sua glória. Está escrito: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam”. 1 Coríntios 2:9. {CCn 54.2}
Poetas e cientistas têm muito a dizer sobre a natureza, mas são os cristãos que melhor apreciam as belezas que há na Terra, pois reconhecem a obra do Pai e percebem Seu amor em uma flor, em um arbusto ou uma árvore. Ninguém pode apreciar plenamente o significado da colina e do vale, do rio e do mar se não os contemplar como uma expressão do amor de Deus pelo ser humano. {CCn 54.3}
Deus nos fala através de Suas obras providenciais e da influência do Seu Espírito sobre o coração. Nas circunstâncias que enfrentamos, no ambiente em que vivemos e nas mudanças que ocorrem diariamente à nossa volta, podemos encontrar lições preciosas se nosso coração estiver aberto para discerni-las. O salmista, ao descrever o trabalho da providência divina, diz: “A terra está cheia da bondade do Senhor”. Salmos 33:5. “Quem é sábio atente para essas coisas e considere as misericórdias do Senhor”. Salmos 107:43. {CCn 54.4}
Deus nos fala por meio de Sua Palavra. É ali que encontramos em linhas mais claras a revelação do Seu caráter, da Sua maneira de tratar as pessoas e da grande obra da redenção. Ali, diante de nós, está a história dos patriarcas, dos profetas e de outros homens santos da antiguidade. Eram homens sujeitos “aos mesmos sentimentos”. Tiago 5:17. Vemos que eles, assim como nós, lutaram com situações desanimadoras; vemos como caíram em tentação da mesma forma que também caímos e, no entanto, levantaram-se e venceram mediante a graça de Deus. Ao vermos esses exemplos, nos animamos em nossa luta para alcançar a justiça. Ao lermos sobre as preciosas experiências que lhes foram concedidas; a luz, o amor e as bênçãos que desfrutavam, e o trabalho efetuado através da graça que lhes era dada, o espírito que os inspirava acende em nosso coração uma chama que inspira em nós o desejo de sermos semelhantes a eles no caráter e de andarmos com Deus como eles andaram. {CCn 54.5}
Disse Jesus Cristo a respeito do Antigo Testamento — e quanto mais isso é verdade a respeito do Novo — que testificava sobre Ele, o Redentor, Aquele em quem está depositada nossa esperança de vida eterna. João 5:39. Sim, toda a Bíblia fala de Cristo. Desde o primeiro registro da criação — pois “sem Ele, nada do que foi feito se fez” (João 1:3), até a promessa final, “Eis que venho sem demora” (Apocalipse 22:12) — lemos sobre Suas obras e ouvimos Sua voz. Se você quiser conhecer o Salvador, estude as Santas Escrituras, a Bíblia. {CCn 55.1}
Encha o seu coração com as palavras de Deus. Elas são a água viva que irá saciar a sua sede. Elas são o pão vivo que vem do Céu. Jesus declara: “Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos”. João 6:53. De Si mesmo, Ele diz: “As palavras que Eu vos tenho dito são espírito e são vida”. João 6:63. Nosso corpo é formado por aquilo que comemos e bebemos. Como acontece na vida física, assim também ocorre na vida espiritual: é aquilo em que meditamos que dará graça e força a nossa natureza espiritual. {CCn 55.2}
A redenção é um tema que os anjos apreciam estudar; e será a ciência e o cântico dos remidos através dos séculos infindáveis da eternidade. Não seria esse um assunto digno de cuidadoso estudo desde agora? A infinita misericórdia e amor de Jesus e o sacrifício feito em nosso favor requerem a reflexão mais séria e solene. Devemos dedicar tempo para pensar no caráter do nosso querido Redentor e Intercessor. Devemos meditar sobre a missão dAquele que veio salvar Seu povo de seus pecados. Ao meditarmos sobre temas celestiais, nossa fé e amor ficarão fortalecidos; nossas orações serão mais aceitáveis a Deus, pois estarão cada vez mais misturadas com fé e amor. Elas serão inteligentes e fervorosas. Haverá uma confiança mais constante em Jesus e uma experiência diária e viva com o Seu poder capaz de salvar todos os que vão a Deus por meio dEle. {CCn 55.3}
Ao meditarmos na perfeição do Salvador, desejaremos ser inteiramente transformados e renovados à imagem da Sua pureza. Teremos fome e sede de nos tornar iguais Àquele a quem adoramos. Quanto mais nossos pensamentos estiverem centralizados em Cristo, mais falaremos dEle para os outros e mais O representaremos perante o mundo. {CCn 55.4}
A Bíblia não foi escrita apenas para os eruditos; pelo contrário, destina-se às pessoas comuns. As grandes verdades necessárias para a salvação são apresentadas com a clareza do sol do meio-dia; ninguém errará nem se perderá no caminho, exceto os que seguirem seus próprios julgamentos, em vez da vontade revelada de Deus. {CCn 55.5}
Não devemos aceitar o testemunho de homem algum quanto aos ensinamentos das Escrituras, mas devemos estudar por nós mesmos as palavras de Deus. Se permitirmos que outros pensem por nós, nossa energia e as habilidades que adquirimos se atrofiarão. Os poderes nobres da mente poderão ficar tão debilitados pela falta de exercício nos temas que mereçam concentração que poderão perder a capacidade de compreender o profundo significado da Palavra de Deus. A mente se expandirá se for empregada para verificar como os assuntos da Bíblia se relacionam entre si, e na comparação de passagem com passagem e de coisas espirituais com coisas espirituais. {CCn 55.6}
Nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras. Nenhum livro é tão capaz de elevar nossos pensamentos e dar vigor às faculdades como as grandiosas e enobrecedoras verdades da Bíblia. Se a Palavra de Deus fosse estudada como deveria ser, as pessoas teriam uma mente mais esclarecida, um caráter mais nobre e firmeza de propósito, coisas raramente vistas nos dias de hoje. {CCn 56.1}
É muito pequeno o benefício que se tira de uma leitura apressada da Bíblia. Pode-se ler a Bíblia inteira sem que se veja sua beleza ou se compreenda sua profundidade, nem seus significados escondidos. Tem mais valor uma passagem estudada até que seu significado fique claro, e sua relação com o plano da salvação se torne evidente, do que percorrer os olhos por vários capítulos sem um propósito definido e sem que se obtenha alguma instrução. Esteja sempre com sua Bíblia. Leia-a sempre que tiver oportunidade; decore as passagens. Mesmo andando pelas ruas, você pode ler uma passagem e meditar sobre ela, fixando-a na mente. {CCn 56.2}
Não podemos obter sabedoria sem fervorosa atenção e estudo acompanhado de oração. Algumas partes da Escritura são, efetivamente, bastante fáceis de entender, mas há outras cujo significado não está na superfície, de modo que possam ser entendidas na primeira leitura. As passagens devem ser comparadas umas com as outras. Deve haver cuidadosa pesquisa, reflexão e oração. Um estudo assim será ricamente recompensado. Como o garimpeiro que descobre veios de metais preciosos escondidos sob a superfície da terra, também aquele que, com perseverança, busca a palavra de Deus como se procurasse um tesouro escondido encontra verdades de grande valor, as quais estão escondidas daqueles que pesquisam de maneira descuidada. As palavras inspiradas, quando abrigadas no coração, serão como correntes jorrando da fonte da vida. {CCn 56.3}
A Bíblia nunca deveria ser estudada sem oração. Antes de abrir suas páginas, devemos pedir a iluminação do Espírito Santo, e a receberemos. Quando Natanael foi a Jesus, o Salvador exclamou: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!” Natanael perguntou: “Donde me conheces?” Ao que Jesus respondeu: “Antes de Filipe te chamar, Eu te vi, quando estavas debaixo da figueira”. João 1:47, 48. Jesus nos verá também nos lugares secretos de oração se nEle buscarmos a luz que nos fará ver a verdade. Anjos de luz estarão com aqueles que, com humildade, buscarem orientação divina. {CCn 56.4}
O Espírito Santo exalta e glorifica o Salvador. Sua missão é apresentar Cristo, a pureza da Sua justiça e a grande salvação que temos por meio dEle. Diz Jesus: “Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar”. João 16:14. O Espírito de verdade é o único mestre eficaz da verdade divina. Quanto não deve Deus estimar a raça humana, a ponto de dar Seu Filho para morrer em seu lugar e designar Seu Espírito para ser seu mestre e guia constante! {CCn 56.5}

quinta-feira, 9 de junho de 2016

9. O Prazer de Testemunhar - Caminho a Cristo


Deus é a fonte de vida, luz e alegria do Universo. Como raios de luz solar, como correntes de água jorrando de uma fonte viva, assim as bênçãos que procedem de Deus alcançam a todas as criaturas. E onde quer que a vida de Deus se encontre no coração das pessoas, ela atingirá outros como amor e bênção. {CCn 49.1}
A alegria do nosso Salvador está em erguer e redimir homens e mulheres que caíram. Para isso, Ele desprezou a própria vida, suportou a cruz e a humilhação. Assim também os anjos estão empenhados em proporcionar felicidade para as pessoas. Nisso eles se alegram. Aquilo que corações egoístas considerariam um serviço humilhante — ajudar os desgraçados que, em todos os sentidos, são inferiores a eles no caráter e na posição — é a tarefa dos santos anjos. O espírito do amor abnegado de Cristo é o espírito que existe no Céu e a essência da alegria que existe ali. Esse é o espírito que os seguidores de Cristo deverão possuir para fazer a obra que lhes está confiada. {CCn 49.2}
Quando o amor de Cristo está no coração, como um bom perfume, ele não pode ficar escondido. Sua santa influência é sentida por todos os que entram em contato com ele. O espírito de Cristo no coração é como uma fonte no deserto que, com suas águas, refrigera todos, e desperta naqueles que estão prestes a perecer o desejo de beber da água da vida. {CCn 49.3}
O amor por Jesus será demonstrado através do desejo de trabalhar como Ele trabalhou para abençoar e erguer a humanidade. Ele fará com que sintamos amor, ternura e simpatia para com todas as criaturas do Pai celestial. {CCn 49.4}
A vida do Salvador na Terra não foi de comodidade e dedicação aos próprios interesses; pelo contrário, ele atuava com persistente e fervoroso esforço pela salvação da humanidade perdida. Da manjedoura até o Calvário, Ele trilhou o caminho da abnegação, enfrentando tarefas árduas, viagens cansativas e exaustivas preocupações. Ele disse: “O Filho do homem [...] não veio para ser servido, mas para servir”. Mateus 20:28. Esse era o único e grande objetivo de Sua vida. Tudo o mais eram secundário e menos importante. Sua comida e Sua bebida eram fazer a vontade de Deus e terminar Sua obra. A satisfação do próprio eu e o interesse em Si mesmo não faziam parte dos Seus objetivos. {CCn 49.5}
Assim também, os participantes da graça de Cristo estarão prontos para qualquer sacrifício, para que outros por quem Ele morreu possam receber esse dom celestial. Eles farão tudo o que puderem para transformar o mundo num lugar melhor para que nele todos possam viver. Esse espírito é o legítimo resultado de um coração verdadeiramente convertido. Tão logo uma pessoa aceita a Cristo, em seu coração nasce um desejo de apresentar aos outros o precioso amigo que encontrou em Jesus Cristo; a verdade salvadora e santificadora não pode ficar escondida em seu coração. Se estivermos revestidos da justiça de Cristo e cheios da alegria que o Seu Espírito produz, será impossível nos contermos. Se já provamos e vimos que o Senhor é bom, teremos alguma coisa a dizer. Como Felipe, ao encontrarmos o Salvador, convidaremos outros para a Sua presença. Procuraremos apresentar-lhes os atrativos de Cristo e as realidades do mundo por vir, as quais ninguém ainda viu. Haverá um intenso desejo de seguir pelo caminho que Jesus andou. Haverá um fervoroso anseio de que aqueles ao nosso redor possam contemplar “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29. {CCn 49.6}
O esforço para levar bênçãos aos outros redundará em bênçãos sobre nós mesmos. Esse foi o propósito de Deus ao dar-nos uma parte para ser desempenhada no plano da redenção. Ele concedeu ao ser humano o privilégio de tornar-se participante da natureza divina e de compartilhar as bênçãos com seus semelhantes. Essa é a honra mais elevada e a maior das alegrias que Deus pode conceder ao ser humano. Os que se tornam, desse modo, participantes de manifestações de amor são levados para mais perto de seu criador. {CCn 50.1}
Deus poderia ter confiado aos anjos celestiais a mensagem do evangelho e todo o trabalho de ministrar amor. Poderia ter empregado outros meios para cumprir Seu propósito. Mas, em Seu infinito amor, Ele preferiu tornar-nos cooperadores Seus, juntamente com Cristo e os anjos, para que pudéssemos partilhar das bênçãos, da alegria e do enlevo espiritual que resultam desse ministério altruísta. {CCn 50.2}
Ao meditarmos nos sofrimentos de Cristo, passamos a manter uma maior proximidade dEle. Cada ato de renúncia própria pelo bem dos outros fortalece o espírito de beneficência no coração do doador, ligando-o mais estreitamente ao Redentor do mundo, o qual, “sendo rico, Se fez pobre por amor de vós, para que, pela Sua pobreza, vos tornásseis ricos”. 2 Coríntios 8:9. À medida que cumprimos o propósito divino ao nos criar é que a vida se torna uma bênção para nós. {CCn 50.3}
Se você agir como Cristo determinou a Seus discípulos, e levar outras pessoas até Ele, sentirá a necessidade de uma experiência ainda mais profunda e de um conhecimento maior das coisas divinas. Você terá fome e sede da justiça. Rogará a Deus, e sua fé será fortalecida. Com grande interesse, beberá da fonte da salvação. A oposição e as provações que encontrar o conduzirão para a Bíblia e a oração. Você crescerá na graça e no conhecimento de Cristo e desenvolverá uma rica experiência. {CCn 50.4}
O espírito de trabalho desinteressado pelos outros proporciona profundidade, estabilidade e amabilidade cristã ao caráter, trazendo paz e felicidade ao que o possui. As aspirações são as mais elevadas. Não há lugar para a preguiça ou egoísmo. Os que desse modo exercitam as graças cristãs crescerão e se tornarão fortes para trabalhar para Deus. Terão uma percepção espiritual mais clara, fé constante e crescente, e um poder cada vez maior na oração. O Espírito de Deus atuando em seu coração desperta as sagradas harmonias da alma em resposta ao toque divino. Os que se dedicam ao esforço desinteressado pelo bem dos outros estarão, certamente, contribuindo para a própria salvação. {CCn 51.1}
A única maneira de crescer na graça é fazer, de maneira desinteressada, o próprio trabalho que Cristo nos ordenou — empenhar-nos na medida da nossa habilidade em ajudar e abençoar os que precisam do auxílio que podemos dar. A força se desenvolve pelo exercício; a atividade é uma condição para a sobrevivência. Os que procuram manter a vida cristã aceitando passivamente as bênçãos concedidas por meio da graça, e nada fazem por Cristo, estão simplesmente tentando viver apenas do alimento, sem exercitar-se. E no mundo espiritual, como também no material, isso sempre resulta em degeneração e ruína. Uma pessoa que se recusa a exercitar seus membros em breve perderá a capacidade de usá-los. Da mesma maneira, o cristão que não exercitar os poderes dados por Deus não somente deixará de crescer em Cristo, como também perderá a força que já adquiriu. {CCn 51.2}
A igreja de Cristo é a agência designada para a salvação do ser humano. Sua missão é levar o evangelho ao mundo. E essa obrigação repousa sobre os ombros de todos os cristãos. Todos, na medida do seu talento e das oportunidades que lhes são dadas, devem cumprir a ordem do Salvador. O amor de Cristo a nós revelado nos torna devedores a todos que não O conhecem. Deus nos deu luz não apenas para que a retivéssemos conosco, mas para que a espalhássemos sobre eles. {CCn 51.3}
Se os seguidores de Cristo estivessem atentos para os seus deveres, onde hoje há apenas um, haveria milhares proclamando o evangelho nos países não-cristãos. Todos os que não estivessem envolvidos pessoalmente com o trabalho iriam sustentá-lo com seus meios, sua simpatia e suas orações. E nos países cristãos haveria muito mais trabalho dedicado em favor das pessoas. {CCn 51.4}
Não precisamos ir aos países mais distantes, nem mesmo deixar o estreito círculo familiar, se ali for o lugar em que devemos cumprir nosso dever, a fim de testemunhar de Cristo. Podemos fazer isso dentro do círculo familiar, na igreja, entre aqueles com quem nos relacionamos e com quem temos relações comerciais. {CCn 51.5}
Nosso Salvador passou a maior parte de Sua vida na Terra trabalhando pacientemente na carpintaria em Nazaré. Anjos ministradores assistiam o Senhor da vida enquanto Ele andava lado a lado com camponeses e trabalhadores, sem que ninguém O reconhecesse ou honrasse. Ele cumpria tão fielmente Sua missão tanto ao trabalhar em Seu humilde ofício quanto ao curar os enfermos ou andar sobre as ondas do tempestuoso mar da Galiléia. Assim, nas posições mais simples e humildes da vida, também devemos andar e trabalhar como Jesus. {CCn 51.6}
Diz o apóstolo: “Cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado”. 1 Coríntios 7:24. O homem de negócios pode conduzir suas transações comerciais de maneira a glorificar o seu Mestre por causa da sua fidelidade. Se for um verdadeiro seguidor de Cristo, mostrará sua religião em tudo que fizer e revelará para as pessoas o espírito de Cristo. O operário pode ser um representante diligente e fiel dAquele que fazia trabalhos humildes entre as colinas da Galiléia. Todo aquele que leva o nome de Cristo deve trabalhar de tal modo que os outros, ao verem suas boas obras, possam ser levados a glorificar o Criador e Redentor. {CCn 52.1}
Muitos têm se recusado a dedicar seus dons ao serviço de Cristo porque outros possuem dons e vantagens superiores. Tem prevalecido a opinião de que apenas aos que têm talentos especiais se requer que consagrem suas habilidades para o serviço de Deus. Muitos até acham que os talentos são dados apenas a certas classes favorecidas, em detrimento de outros que, naturalmente, não são chamados para participar nem dos trabalhos nem das recompensas. Mas não é isso que está representado na parábola. Quando o senhor da casa chamou seus servos, ele deu a cada um o seu trabalho. {CCn 52.2}
Com espírito amável podemos desempenhar até as tarefas mais humildes “como para o Senhor”. Colossences 3:23. Se o amor de Deus estiver no coração, ele se manifestará na vida. O suave perfume de Cristo nos envolverá e nossa influência será para o enlevo e bênção dos que nos cercam. {CCn 52.3}
Você não deve esperar ocasiões especiais ou desejar ter habilidades extraordinárias antes de ir trabalhar para Deus. Não precisa preocupar-se com o que o mundo pensará de você. Se a sua vida diária for um testemunho da pureza e sinceridade de sua fé e se os outros estiverem convencidos de que você deseja o bem deles, seus esforços não serão em vão. {CCn 52.4}
Os mais humildes e mais pobres dos discípulos de Jesus podem ser uma bênção para outros. Eles podem nem perceber que estão fazendo o bem, mas por sua influência, ainda que inconsciente, podem iniciar ondas de bênçãos que irão se alargando e se aprofundando. Os abençoados resultados podem também não ser reconhecidos até o dia da recompensa final. Nem notam que estão fazendo alguma coisa grande. Não devem ainda ficar ansiosos por obter sucesso. Precisam apenas prosseguir adiante tranqüilamente, fazendo o trabalho que a providência de Deus lhes determine, e sua vida não terá sido em vão. Sua experiência e realização crescerão cada vez mais à semelhança de Cristo; são colaboradores de Deus nesta vida e, por essa razão, estão preparados para a obra mais elevada e a verdadeira felicidade da vida por vir. {CCn 52.5}

quarta-feira, 8 de junho de 2016

8. O Crescimento Espiritual - Caminho a Cristo


A transformação do coração, pela qual nos tornamos filhos de Deus, é chamada na Bíblia de novo nascimento. Também é comparada com a germinação da boa semente plantada pelo lavrador. Da mesma maneira, os que se converteram a Cristo devem, “como crianças recém-nascidas” (1 Pedro 2:2), crescer até a estatura de homens e mulheres em Cristo Jesus. Efésios 4:15. Como a boa semente plantada no campo, eles devem crescer e produzir fruto. Isaías diz que se chamarão “carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a Sua glória”. Isaías 61:3. Essas ilustrações extraídas da natureza nos ajudam a entender melhor as profundas verdades da vida espiritual. {CCn 43.1}
Nem mesmo toda a sabedoria e habilidades do ser humano poderão produzir vida no menor objeto da natureza. É somente através da vida concedida pelo próprio Deus que uma planta ou um animal pode viver. Assim, é somente através da vida que vem de Deus que a vida espiritual é gerada no coração humano. A menos que uma pessoa nasça “de novo” (João 3:3), não poderá tornar-se participante da vida que Cristo veio dar. {CCn 43.2}
Como ocorre com a vida, assim acontece com o crescimento. É Deus quem faz o botão tornar-se flor e a flor, fruto. É pelo Seu poder que a semente se desenvolve, “primeiro a erva, depois, a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga”. Marcos 4:28. O profeta Oséias diz que Israel “florescerá como o lírio”. Eles “serão vivificados como o cereal e florescerão como a vide”. Oséias 14:5, 7. E Jesus nos convida a observar os lírios. Lucas 12:27. As plantas e flores não crescem pelo seu próprio cuidado, ansiedade ou esforço, mas por receberem aquilo que Deus fornece para lhes dar vida. A criança não pode, por um desejo ou poder próprio, aumentar sua estatura. Nem você tem como garantir seu crescimento espiritual por meio da sua vontade ou poder. A planta e as crianças crescem recebendo do seu ambiente aquilo que é necessário para a vida — ar, luz do sol e alimento. O que esses dons da natureza representam para os animais e as plantas, também Cristo representa para os que confiam nEle. Ele é sua “luz perpétua” (Isaías 60:19), seu “sol e escudo”. Salmos 84:11. Ele será “para Israel como orvalho”. Oséias 14:5. Será “como chuva que desce sobre a campina ceifada”. Salmos 72:6. Ele é a água viva, “o pão de Deus [...] que desce do céu e dá vida ao mundo”. João 6:33. {CCn 43.3}
No incomparável dom do Seu Filho, Deus envolveu o mundo inteiro com uma atmosfera de graça tão real como o ar que circunda o globo. Todos os que escolherem respirar essa atmosfera vivificadora viverão e crescerão, alcançando a estatura de homens e mulheres em Cristo Jesus. {CCn 44.1}
Assim como a flor volta-se para o sol, para que seus brilhantes raios possam ajudá-la a aperfeiçoar sua beleza e simetria, assim devemos volver-nos para o Sol da Justiça, para que a luz do Céu brilhe sobre nós e nosso caráter seja desenvolvido à semelhança de Cristo. {CCn 44.2}
Jesus ensina a mesma coisa ao dizer: “Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em Mim. [...] Sem Mim nada podeis fazer”. João 15:4, 5. Para viver uma vida santificada, você é tão dependente de Cristo como o ramo depende do tronco para crescer e frutificar. Separado de Cristo, você não tem vida. Não tem poder para resistir à tentação ou crescer na graça e na santidade. Permanecendo nEle, você vai florescer. Se sua vida estiver ligada a Ele, você não murchará nem deixará de produzir frutos. Será como uma árvore plantada junto a fontes de águas. {CCn 44.3}
Muitos pensam que devem fazer sozinhos uma parte do trabalho. Confiaram em Cristo para obter o perdão de seus pecados, mas agora procuram viver retamente através de seus próprios esforços. Mas esse esforço é em vão. Jesus diz: “Sem Mim nada podeis fazer.” Nosso crescimento na graça, nossa alegria, nossa utilidade — tudo depende de nossa união com Cristo. É pela comunhão com Ele, todo dia, toda hora, permanecendo nEle, que crescemos na graça. Ele não é somente o Autor, mas também o Consumador da nossa fé. Cristo deve ser o primeiro e o último. Ele deve estar conosco não apenas no começo e no fim da nossa carreira, mas a cada passo do caminho. Davi disse: “O Senhor, tenho-O sempre à minha presença; estando Ele à minha direita, não serei abalado”. Salmos 16:8. {CCn 44.4}
Você pergunta: “Como posso permanecer em Cristo?” Da mesma maneira como você O recebeu a princípio. “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle”. Colossences 2:6. “O [...] justo viverá pela fé”. Hebreus 10:38. Você se entregou a Deus para pertencer inteiramente a Ele, para servi-Lo e obedecer-Lhe, como também aceitou Cristo como seu Salvador. Você não pode, por si mesmo, redimir-se dos próprios pecados ou transformar seu coração; mas entregando-se a Deus, você crê que Ele, por amor de Cristo, fez tudo isso por você. Pela fé, você passou a ser de Cristo, e pela fé, deve nEle crescer — dando e recebendo. Você tem de entregar-Lhe tudo — o coração, a vontade, a disposição de servir. Deve dar-se, enfim, a si mesmo para então obedecer a todos os Seus mandamentos. Você receberá tudo — Cristo, a plenitude de todas as bênçãos, para habitar em seu coração, ser sua força, justiça e esperança eterna — para que tenha o poder necessário para obedecer. {CCn 44.5}
Consagre-se a Deus pela manhã; faça disso a sua primeira atividade. E ore: “Toma-me, ó Senhor, para ser Teu inteiramente. Deponho todos os meus planos a Teus pés. Usa-me hoje para o Teu serviço. Fica comigo, e que tudo o que eu fizer seja operado por Ti.” Essa é uma questão diária. Cada manhã consagre-se a Deus para aquele dia. Entregue-Lhe todos os seus planos para saber se devem ser levados avante ou não, de acordo com o que Sua providência indicar. Assim, dia após dia, você poderá entregar sua vida nas mãos de Deus, e ela será cada vez mais moldada segundo a vida de Cristo. {CCn 45.1}
A vida em Cristo é uma vida de descanso. Pode não haver êxtase de sentimentos, mas deve existir uma confiança constante e tranquila. Sua esperança não está em si mesmo, mas em Cristo. Sua fraqueza está ligada à Sua força; sua ignorância, à Sua sabedoria; sua fragilidade, ao Seu eterno poder. Por isso, não olhe para você mesmo. Não permita que seus pensamentos fiquem centralizados no próprio eu, mas olhe para Cristo. Pense em Seu amor, Sua beleza e na perfeição do Seu caráter. Cristo em Sua abnegação, Cristo em Sua humilhação, Cristo em Sua pureza e santidade, Cristo em Seu incomparável amor — esse é o tema para sua meditação. E ao amá-Lo, imitá-Lo e depender inteiramente dEle é que você se transforma à Sua semelhança. {CCn 45.2}
Jesus disse: “Permanecei em Mim.” Essas palavras transmitem a idéia de descanso, estabilidade e confiança. Outra vez Ele convida: “Vinde a Mim, [...] e Eu vos aliviarei”. Mateus 11:28. As palavras do salmista expressam o mesmo pensamento: “Descansa no Senhor e espera nEle”. Salmos 37:7. E Isaías dá a certeza: “Na tranquilidade e na confiança, [está] a vossa força”. Isaías 30:15. Este descanso não está na inatividade, pois no convite do Senhor a promessa de descanso vem junto com um chamado ao trabalho: “Tomai sobre vós o Meu jugo [...] e achareis descanso”. Mateus 11:29. O coração que descansa de maneira plena em Deus será o mais empenhado no trabalho ativo por Ele. {CCn 45.3}
Quando os pensamentos estão concentrados no próprio eu, eles afastam-se de Cristo, a fonte de vida e poder. Por isso, Satanás empenha-se em fazer com que as pessoas desviem o pensamento do Salvador, evitando a união e a comunhão do ser humano com Cristo. Os prazeres do mundo, as preocupações, perplexidades e tristezas da vida, as falhas dos outros, ou as próprias falhas e imperfeições — todas essas coisas são por ele utilizadas para desviar o pensamento do Salvador. Não se deixe enganar por esses ardis. Muitas pessoas que são realmente conscienciosas, e que desejam viver para Deus, também são por ele levadas a pensar nas próprias faltas e fraquezas. Assim fazendo, ele consegue separá-las de Cristo e obter a vitória. Não devemos fazer de nós mesmos o centro, dando lugar à ansiedade e ao medo de não sermos salvos. Tudo isso afasta o coração da fonte de nossa força. Fale de Jesus; pense nEle. Que o próprio eu se perca nEle. Afaste toda dúvida; esqueça seus temores. Como o apóstolo Paulo, diga: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim”. Gálatas 2:20. Descanse em Deus. Ele pode guardar aquilo que você Lhe confiou. Colocando-se em Suas mãos, Ele fará com que você seja mais do que vencedor por Aquele que o amou. {CCn 45.4}
Quando Se revestiu da natureza humana, Cristo ligou a Si a humanidade com um laço de amor que nunca pode ser desfeito por poder algum, exceto a escolha do próprio homem. Satanás sempre estará tentando nos seduzir para desfazermos esse laço, escolhendo separar-nos de Cristo. É aqui que precisamos vigiar, lutar e orar, para que nada nos induza a escolher outro mestre; pois seremos sempre livres para assim fazer. Mas fixemos nossos olhos em Cristo e Ele nos preservará. Se olharmos para Jesus, estaremos a salvo. Nada pode arrancar-nos de Sua mão. Contemplando-O constantemente, “somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. 2 Coríntios 3:18. {CCn 46.1}
Foi dessa maneira que os primeiros discípulos alcançaram a semelhança com o amado Salvador. Quando ouviram as palavras de Jesus, esses discípulos sentiram a necessidade que tinham dEle. Eles O buscaram, O encontraram e O seguiram. Estavam com Jesus em casa, à mesa, nos aposentos mais reservados e no campo. Estavam com Ele como alunos e seu professor, recebendo diariamente de Seus lábios lições da santa verdade. Olhavam para Ele como servos para seu senhor, para saber o que tinham a fazer. Esses discípulos eram homens sujeitos “aos mesmos sentimentos” que temos. Tiago 5:17. Como nós, também tinham que lutar contra o pecado. Precisavam da mesma graça para viver uma vida santificada. {CCn 46.2}
Mesmo João, o discípulo amado, aquele que melhor refletiu a semelhança do Salvador, não possuía naturalmente esse caráter amável. Não somente era arrogante e ambicioso por honras, como também era impetuoso e ressentido ao ser ofendido. Mas ao manifestar-se o caráter do que é Divino, ele viu sua deficiência e, reconhecendo isso, humilhou-se. A força e a paciência, o poder e a ternura, a majestade e a mansidão que contemplava na vida diária do Filho de Deus enchiam sua alma de admiração e amor. Dia após dia, o seu coração era atraído para Cristo, até perder de vista a si próprio, por amor ao Seu mestre. Seu temperamento ressentido e ambicioso deu lugar ao poder modelador de Cristo. A influência regeneradora do Espírito Santo renovou seu coração. O poder do amor de Cristo operou a transformação do seu caráter. Esse é o resultado da união com Jesus. Quando Cristo habita o coração, toda a natureza é transformada. O Espírito de Cristo e Seu amor abrandam o coração, subjuga a alma e eleva os pensamentos e desejos para Deus e o Céu. {CCn 46.3}
Quando Cristo subiu ao Céu, Seus seguidores ainda sentiam Sua presença. Era uma presença pessoal, cheia de amor e luz. Jesus, o Salvador, Aquele que andara, falara e orara com eles, que lhes trouxera palavras de esperança e conforto ao coração, estava sendo levado para o Céu. Ao subir, Seus lábios ainda proferiam a mensagem de paz. Enquanto uma nuvem de anjos O recebia, os discípulos ouviam o som da Sua voz: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. Mateus 28:20. Ele subiu ao Céu em forma humana. Os discípulos sabiam que Ele estava diante do trono de Deus ainda como seu Amigo e Salvador. Sabiam que Sua simpatia ainda era a mesma e que ainda Se identificava com o sofrimento da humanidade. Ele estava apresentando diante de Deus os méritos do Seu precioso sangue, mostrando Suas mãos e pés feridos, em memória do preço que pagou por Seus remidos. Sabiam que Ele subira ao Céu para preparar um lugar para eles, e que viria outra vez para levá-los para Si. {CCn 46.4}
Ao reunirem-se depois da ascensão, eles estavam ansiosos por apresentar suas petições para o Pai em nome de Jesus. Reverentemente, prostraram-se em oração, repetindo a promessa: “Se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vo-la concederá em Meu nome. Até agora nada tendes pedido em Meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”. João 16:23, 24. Os discípulos erguiam cada vez mais alto a mão da fé, apresentando o poderoso argumento: “É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”. Romanos 8:34. E o Pentecostes trouxe a presença do Consolador, de quem Cristo disse: Ele “estará em vós”. João 14:17. Mais tarde, Ele disse: “Convém que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador não virá para vós outros”. João 16:7. Daí por diante, por meio do Espírito, Cristo habitaria continuamente no coração de Seus filhos. Sua união com Ele passou a ser então mais íntima do que quando Ele estava pessoalmente com eles. A luz, o amor e o poder do Cristo que habitava neles se refletiam em sua vida, de modo que as pessoas, ao vê-los, “admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. Atos dos Apóstolos 4:13. {CCn 47.1}
Tudo o que Cristo era para os discípulos, Ele deseja ser para os Seus filhos hoje; pois na última oração, com o pequeno grupo de discípulos ao Seu redor, Ele disse: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em Mim, por intermédio da sua palavra”. João 17:20. {CCn 47.2}
Jesus orou por nós, pedindo para que pudéssemos ser um com Ele, assim como Ele é um com o Pai. Que união extraordinária! Disse o Salvador a respeito de Si mesmo: “O Filho nada pode fazer de Si mesmo”; “o Pai, que permanece em Mim, faz as Suas obras”. João 5:19; 14:10. Assim, se Cristo habitar em nosso coração, Ele operará em nós “tanto o querer como o realizar”. Filipenses 2:13. Trabalharemos como Ele trabalhou; manifestaremos o mesmo espírito. E assim, amando-O e nEle habitando, “cresçamos em tudo nAquele que é a cabeça, Cristo”. Efésios 4:15. {CCn 47.3}

terça-feira, 7 de junho de 2016

7. O Teste da Obediência - Caminho a Cristo


Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. 2 Coríntios 5:17. Uma pessoa pode não ser capaz de dizer o momento e o lugar exatos, nem descrever todas as circunstâncias do processo de conversão; mas isso não prova que ela não seja convertida. Cristo disse para Nicodemos: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”. João 3:8. Como o vento, que é invisível, embora seus efeitos sejam claramente vistos e sentidos, assim também é o Espírito de Deus em Sua obra no coração humano. Esse poder regenerador, o qual nenhum olho humano pode ver, gera uma nova vida e cria um novo ser à imagem de Deus. {CCn 37.1}
Embora a obra do Espírito seja silenciosa e imperceptível, seus efeitos podem ser vistos. Se o coração foi renovado pelo Espírito de Deus, a vida dará testemunho disso. Apesar de nada podermos fazer para mudar o coração e entrar em harmonia com Deus, mesmo que não devamos em absoluto confiar em nós mesmos, nem em nossas boas ações, a vida vai revelar se a graça de Deus habita em nós. Uma mudança será notada no caráter, hábitos e propósitos. Será claro e decisivo o contraste entre o que eram antes e o que são agora. O caráter é revelado não por boas obras nem por erros ocasionais, mas pela tendência que palavras e atos costumeiros revelam. {CCn 37.2}
É verdade que pode haver uma aparência de retidão, mesmo sem o poder renovador de Cristo. O desejo de ter influência e de ser estimado pelos outros pode levar a uma vida bem ordenada. O respeito próprio pode nos fazer evitar a aparência do mal. Um coração egoísta pode promover atos generosos. De que maneira, então, vamos demonstrar de que lado estamos? {CCn 37.3}
Quem domina nosso coração? Em quem estão nossos pensamentos? Acerca de quem gostamos de conversar? Quem é o alvo da nossa calorosa afeição e do melhor da nossa energia? Se somos de Cristo, sempre estaremos pensando nEle; nossos mais doces pensamentos nEle se concentrarão. Tudo o que temos e somos será consagrado a Ele. Teremos o desejo de refletir Sua imagem, possuir Seu Espírito, fazer Sua vontade e agradá-Lo em todas as coisas. {CCn 37.4}
Aqueles que se tornarem novas criaturas em Jesus Cristo produzirão os frutos do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Gálatas 5:22, 23. Não mais se comportarão de acordo com as antigas paixões, mas, pela fé no Filho de Deus, seguirão os Seus passos, refletirão o Seu caráter e se tornarão puros assim como Ele é puro. As coisas que antes detestavam, agora amam; as coisas que antes amavam, agora aborrecem. O orgulhoso e arrogante torna-se manso e dócil. O vaidoso e altivo torna-se humilde e modesto. O alcoólatra deixa a bebida; o viciado torna-se puro. As modas e os costumes mundanos são postos de lado. O cristão não buscará o “adorno exterior”, mas o “homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo”. 1 Pedro 3:3, 4. {CCn 37.5}
Não haverá evidências de genuíno arrependimento a menos que ele promova uma reforma. Se confirmar o que foi prometido, devolver o que foi roubado, confessar seus pecados e amar a Deus e ao próximo, o pecador pode estar certo de que passou da morte para a vida. {CCn 38.1}
Quando vamos a Cristo, mesmo sendo seres pecadores e cheios de erros, tornamo-nos participantes da Sua graça perdoadora, e o amor brota em nosso coração. Os fardos tornam-se leves, pois o jugo que Cristo impõe é suave. O dever torna-se um deleite, e o sacrifício, um prazer. O caminho que antes parecia coberto de trevas torna-se iluminado pelo Sol da Justiça. {CCn 38.2}
O amoroso caráter de Cristo será visto em Seus seguidores. Ele Se deleitava em fazer a vontade de Deus. O amor a Deus, o verdadeiro zelo por Sua glória, era o poder controlador da vida do nosso Salvador. O amor embelezava e enobrecia Suas ações. O amor faz parte da natureza divina. O coração não consagrado não pode produzi-lo. O amor pode ser encontrado apenas no coração onde Jesus reina. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. 1 João 4:19. No coração renovado pela graça divina, o amor é o que motiva a ação. Ele modifica o caráter, controla a paixão, supera a inimizade e torna mais nobres as afeições. Esse amor ameniza os rigores da vida e exerce uma influência das mais positivas sobre todos que estiverem por perto. {CCn 38.3}
Há dois erros que os filhos de Deus — em particular aqueles que há pouco passaram a confiar em Sua graça — precisam especialmente evitar. O primeiro, já mencionado, é o de se reportar às próprias obras e confiar naquilo que podem realizar para ficar em harmonia com Deus. Aquele que procura tornar-se santo buscando, por meio das próprias obras, guardar a lei está tentando algo impossível. Tudo o que o ser humano possa fazer sem Cristo está poluído pelo egoísmo e o pecado. Somente a graça de Cristo, por meio da fé, pode nos santificar. {CCn 38.4}
O erro oposto, e não menos perigoso, é acreditar que Cristo isenta a pessoa de guardar a lei de Deus; que, considerando que somente pela fé nos tornamos participantes da graça de Cristo, nossas obras nada têm a ver com nossa redenção. {CCn 38.5}
Mas note que a obediência não é uma mera concordância externa e sim uma conseqüência do amor. A lei de Deus é uma expressão da natureza divina; é uma personificação do grande princípio do amor e, por isso, o fundamento do Seu governo no Céu e na Terra. Se nosso coração for renovado à semelhança de Deus, se o amor divino estiver nele implantado, é claro que viveremos em obediência à lei de Deus. Quando o princípio do amor domina o coração, quando o homem é renovado segundo a imagem dAquele que o criou, a promessa do novo concerto é cumprida: “Porei no seu coração as Minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei”. Hebreus 10:16. E se a lei estiver escrita no coração, claramente ela moldará a vida. A obediência — nosso serviço e compromisso de amor — é o verdadeiro sinal do discipulado. Diz a Escritura: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos”. 1 João 5:3. “Aquele que diz: Eu O conheço e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade”. 1 João 2:4. Em vez de dispensar as pessoas da obediência, é a fé — e somente a fé — que nos faz participantes da graça de Cristo, capacitando-nos a obedecer. {CCn 39.1}
Não ganhamos a salvação por nossa obediência, pois a salvação é um dom gratuito de Deus que recebemos pela fé. Mas a obediência é o fruto da fé. “Sabeis que também Ele Se manifestou para tirar os pecados, e nEle não existe pecado. Todo aquele que permanece nEle não vive pecando; todo aquele que vive pecando não O viu, nem O conheceu”. 1 João 3:5, 6. Aqui está a verdadeira prova. Se estivermos em Cristo, se o amor de Deus habitar em nós, nossos sentimentos, pensamentos, propósitos e ações estarão em harmonia com a vontade de Deus expressa nos preceitos de Sua santa lei. “Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como Ele é justo”. 1 João 3:7. A justiça está definida pelo padrão da santa lei de Deus, como está expressa nos dez preceitos dados no Sinai. {CCn 39.2}
A suposta fé em Cristo que leva a pessoa a se esquivar da obrigação de obedecer a Deus não é fé, mas presunção. “Pela graça sois salvos, mediante a fé”. Efésios 2:8. Entretanto, “a fé, se não tiver obras, por si só está morta”. Tiago 2:17. Jesus Cristo disse acerca de Si mesmo, antes de vir à Terra: “Agrada-Me fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; dentro do Meu coração, está a Tua lei”. Salmos 40:8. E antes de subir ao Céu, Ele declarou: “Tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e no Seu amor permaneço”. João 15:10. Diz a Escritura: “Sabemos que O temos conhecido por isto: se guardamos os Seus mandamentos. [...] Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou”. 1 João 2:3-6. “Pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os Seus passos”. 1 Pedro 2:21. {CCn 39.3}
A condição para a vida eterna ainda é a mesma que sempre foi: perfeita obediência à lei de Deus, perfeita justiça, exatamente como era no Paraíso, antes da queda de nossos primeiros pais. Se a vida eterna nos fosse concedida sob qualquer condição inferior a essa, a felicidade de todo o Universo estaria correndo perigo. Estaria aberto o caminho para que o pecado com toda a sua miséria se perpetuasse. {CCn 39.4}
Antes da queda, Adão podia apresentar um caráter justo, mediante a obediência à lei de Deus. Mas ele fracassou e, por causa do seu pecado, nossa natureza se acha decaída e não podemos, por nós mesmos, alcançar a justiça. Pelo fato de sermos pecadores, profanos, somos incapazes de obedecer perfeitamente à santa lei. Não possuímos em nós mesmos a justiça necessária para satisfazer as exigências da lei de Deus. Mas Cristo providenciou uma solução. Ele viveu na Terra em meio a provas e tentações iguais às que temos de enfrentar. E viveu sem pecar. Morreu por nós, e agora Se oferece para tirar-nos os pecados e dar-nos Sua justiça. Ao entregar-se a Ele, aceitando-O como seu Salvador, você, por causa dEle, será considerado justo, não importa quão pecaminosa possa ter sido a sua vida. O caráter de Cristo substituirá o seu caráter, e você será aceito diante de Deus como se não houvesse pecado. {CCn 40.1}
Além de tudo isso, Cristo transformará o seu coração; e ali, pela fé, Ele vai habitar. Por meio da fé e de uma contínua submissão de sua vontade a Ele, você deve manter essa ligação com Cristo. Assim fazendo, Ele operará em você o querer e o fazer, segundo a Sua vontade. Você poderá dizer: “Esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim”. Gálatas 2:20. Assim disse Jesus aos Seus discípulos: “Não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós”. Mateus 10:20. Assim, através de Cristo, você manifestará o mesmo espírito e as mesmas boas obras — obras de justiça e obediência. Portanto, nada temos pelo que nos vangloriar, nenhum motivo para exaltação própria. Nossa única razão para a esperança está na justiça de Cristo que nos é imputada, como resultado da obra do Espírito Santo, o qual atua em nós e por nosso intermédio. {CCn 40.2}
Quando falamos em fé, devemos ter em mente que existe uma distinção. Existe uma espécie de crença que é totalmente diferente da fé. A existência e o poder de Deus, a veracidade de Sua Palavra, são fatos que nem Satanás e suas hostes podem sinceramente negar. A Bíblia diz que “os demônios crêem e tremem”. Tiago 2:19. Mas isso não é fé. Onde existe não só a crença na Palavra de Deus, mas também uma submissão da vontade a Ele; onde o coração é entregue e as afeições são nEle concentradas, aí existe fé — uma fé que opera por meio do amor e que purifica o coração. Mediante esta fé, o coração é renovado à imagem de Deus. E o coração que, em seu estado não regenerado, não se submete à lei de Deus, nem o consegue, agora alegra-se nos Seus santos preceitos, e exclama como o salmista: “Quanto amo a Tua lei! É a minha meditação, todo o dia!”. Salmos 119:97. E a justiça da lei se cumpre em nós, “que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Romanos 8:4. {CCn 40.3}
Há os que já conheceram o poder perdoador de Cristo e que realmente desejam ser filhos de Deus, mas percebem que seu caráter é imperfeito, sua vida cheia de faltas, e chegam a duvidar se o seu coração já foi renovado pelo Espírito Santo. Gostaria de dizer para esses que não recuem em desespero. Muitas vezes, teremos que nos prostrar e chorar aos pés de Jesus por causa de nossas faltas e erros, mas não devemos desanimar. Mesmo se formos vencidos pelo inimigo, não seremos rejeitados nem abandonados por Deus. Não; Cristo está à destra de Deus, também intercedendo por nós. Diz o amado João: “Estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. 1 João 2:1. E não nos esqueçamos das palavras de Cristo: “O próprio Pai vos ama”. João 16:27. Ele deseja atraí-lo para Si, para que você possa ver Sua própria pureza e santidade refletidas em você. E se você se entregar, Aquele que começou em você a boa obra há de continuá-la até o dia de Jesus Cristo. Ore com mais fervor; creia mais plenamente. Deixemos de confiar em nossa própria força e passemos a confiar no poder do nosso Redentor. Então, louvaremos Aquele que é o vigor da nossa face. {CCn 41.1}
Quanto mais perto você estiver de Jesus, mais cheio de faltas se sentirá a seus próprios olhos, pois sua visão ficará mais clara, e suas imperfeições serão vistas em amplo e distinto contraste com a natureza perfeita de Cristo. Isso é prova de que os enganos de Satanás perderam seu poder, e que a influência vivificante do Espírito de Deus está lhe despertando. {CCn 41.2}
Quem não reconhece a própria pecaminosidade não consegue desenvolver um amor mais profundo por Jesus. A pessoa que é transformada pela graça de Cristo passará a admirar Seu caráter divino; mas o fato de não enxergar a própria deformidade moral é uma inequívoca evidência de que não tivemos uma visão da beleza e da excelência de Cristo. {CCn 41.3}
Quanto menos enxergarmos as próprias qualidades, tanto mais veremos a infinita pureza e a bondade do nosso Salvador. A percepção de nossa pecaminosidade nos conduz Àquele que pode, de fato, perdoar. E quando uma pessoa, ao perceber o seu desamparo, busca a Cristo, Ele revela-Se de maneira poderosa. Quanto mais percebermos nossa necessidade de chegar-nos a Ele e à Sua palavra, mais elevada será a visão que teremos de Seu caráter, e mais plenamente refletiremos Sua imagem. {CCn 41.4}