"A presença de ambos os pais é que permite à criança viver de forma mais natural os processos de identificação e diferenciação", e quando um falta, ocorre sobrecarga no papel do outro, gerando um desequilíbrio que pode causar prejuízo na personalidade do filho. O autor diz que, em muitos casos, ocorre uma "super presença da mãe, anulando a personalidade do filho ou filha". Comentando o complexo de Édipo no menino, diz que, "para o menino, a ausência do pai significa que nada se interpõe entre ele e sua mãe, o objeto desejado, que é toda sua. Mas esta mãe tão amada também começa a dar limites, e se inicia a guerra". Considera que a entrada na escola possa facilitar o processo nesse sentido, com o surgimento de outros objetos, com os quais o menino poderá competir e se identificar, mas pensa que nem sempre essas compensações tardias poderão equilibrar a situação internalizada.
A entrada na adolescência, quando "a maturação genital obriga a criança a definir o seu papel na procriação". Crianças que não convivem com o pai acabam tendo problemas de identificação sexual, dificuldades de reconhecer limites e de aprender regras de convivência social. Isso mostraria a "dificuldade de internalização de um pai simbólico, capaz de representar a instância moral do indivíduo". Tal falta pode se manifestar de diversas maneiras, entre elas uma maior propensão para o envolvimento com a delinquência.
Vencendo o trauma:
Amadurecimento
Lidar com traumas não é tarefa fácil, todo ser humano já passou por acontecimentos de tamanha intensidade que marcaram e passaram a fazer parte de suas vidas. Porém, é muito importante para a saúde física e mental que aprendamos a nos livrar desses "fantasmas" do passado. Traumas ligados ao pai ou mãe são comumente os mais difíceis, afinal existe uma gama de emoções que se envolvem como a raiva, a revolta e a culpa. É fato que essa experiência é muito sofrida, entretanto pode sim trazer amadurecimento e aprendizado.
Aceitação
O que todos esperamos em nossa sociedade é que pais e filhos cumpram suas obrigações com alegria e amor, formando uma família. Por isso nos choca tanto quando tomamos conhecimento de crimes de pais contra filhos e vice- versa. Infelizmente somos obrigados a concluir que isso faz parte da nossa sociedade e, muitas vezes, a figura paterna idealizada não combina em nada com o real. Assim, se seu pai lhe fez falta na infância e até hoje você se sente desconfortável ou mesmo triste com essa situação, é hora de refletir sobre caminhos diferentes que levem você a sobrepujar isso. A aceitação de que as coisas são como são e não como você gostaria que fossem pode afastar a mágoa e a revolta de seu coração.
Entendimento
Você não precisa procurar razões para as atitudes de seu pai, até porque não existe justificativa plausível, mas abrir seu coração na intenção de compreender a forma dele agir pode ser muito interessante. Existem algumas considerações que podem ser feitas no sentido de entender um pouco mais o que aconteceu. A ausência como pai seria por falta de interesse ou haveria complicações maiores? Claro que existem homens que não reconhecem a beleza da paternidade e fracassam nessa missão, outros, porém se afastam dela por problemas ligados à sua própria infância ou mesmo por dificuldade no relacionamento com a mãe de seus filhos. Isso é lamentável, no entanto buscar esse entendimento pode ser muito saudável para você.
Empatia
Pessoas que guardam mágoas ligadas à seus genitores apresentam problemas graves em seus relacionamentos amorosos. Isso porque existe uma tendência muito forte de transportar esses sentimentos para o cônjuge; como é uma atitude quase sempre inconsciente, a pessoa não percebe. Assim, livrar-se desses rancores é a opção mais inteligente. Melhor mesmo é superar essa ausência, desenvolvendo um sentimento de empatia para com seu pai. Entrando em contato com as dificuldades dele, você pode se sentir melhor e aliviar essa ausência. A empatia permite que nos livremos dos julgamentos, pois propicia o entendimento das pessoas como elas são.
Perdoar seu pai é alcançar amadurecimento suficiente para não repetir as ações dele e viver plenamente a sua vida adulta. Pense nisso!

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