Conforme observamos ao longo dos últimos dias, George Butler, presidente da Associação Geral, tentou manobrar Ellen White a dar uma resposta definitiva às questões bíblicas e teológicas com que estava lidando, uma vez que não contava com evidências suficientes do “livro do Senhor” para defender seus argumentos.
A sequência de cartas de Butler é bem interessante quando se leva em conta como muitos adventistas veem a obra de Ellen White. Muitos de nós já desejamos, em silêncio ou verbalmente, que ela ainda estivesse viva em nossos dias para que pudéssemos perguntar-lhe qual é o “verdadeiro” significado de determinada passagem bíblica. Na série de correspondências enviadas por Butler, encontramos a resposta dela a essa abordagem: silêncio, frustrante silêncio. Os líderes da Associação Geral queriam que a Sra. White agisse como uma espécie de polícia teológica ou juíza exegética. É significativo notar que foi justamente isso que ela se recusou a fazer.
Ellen White se negou a resolver o impasse bíblico por meio de um apelo a seus escritos e foi além: em 24 de outubro, deixou subentendido aos delegados das reuniões de Mineápolis que fora providencial a perda do testemunho a J. H. Waggoner no qual ela supostamente resolvera a questão de Gálatas de uma vez por todas nos anos 1850. “Deus tem um propósito para isso. Ele quer que nos voltemos para a Bíblia e busquemos evidências nas Escrituras” (Man. 9, 1888; itálico acrescentado).
Em outras palavras, ela estava mais interessada no que a Bíblia tinha a dizer sobre o assunto do que naquilo que havia escrito. Para Ellen White, os testemunhos não deveriam se transformar na palavra de autoridade final em questões bíblicas, nem tomar o lugar das Escrituras. Ela enfatizou esse aspecto com todo vigor no início de 1889, na publicação do Testemunho 33, o qual traz uma extensa seção sobre o papel de seus escritos. Precisamos nos familiarizar com esse texto. Que tal lê-lo hoje ou no próximo sábado? (ver T5, p. 654-691).
Ellen White deixou claro que seus escritos tinham o objetivo de reconduzir as pessoas à Palavra de Deus (p. 663) e ajudá-las a entender os princípios bíblicos. Ela nunca os considerou um comentário divino sobre as Escrituras, mas isso nem sempre ficava tão evidente para seus companheiros adventistas. E muitos ainda não entenderam esse fato nos dias de hoje.
Ellen White nunca deixou de conduzir as pessoas ao “livro do Senhor” e a Jesus. Ela não apontava para si mesma, nem para os próprios ensinos como a fonte de autoridade. Esse é o melhor testemunho que temos da validade de seu dom.

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