No dia 5 de maio de 2009, levantei-me mais cedo do que de costume para realizar minha devoção diária. Eu estava lendo o livro de Êxodo. Diante de mim, estava o.relato que antecedia a travessia do Mar Vermelho.
Fazia pouco tempo que eu havia me formado em Medicina e estava casada com um pastor. Estávamos servindo na Patagônia, Argentina. Logo ocorreria a entrevista para uma residência médica em um hospital público. Eu já havia prestado a prova escrita, restando a entrevista. Havia apenas duas vagas. O ingresso seria definido na entrevista diante de um painel formado por 7 a 10 pessoas, aproximadamente, que daria uma nota que seria somada à da prova escrita. Porém um assunto me preocupava. Eu havia decidido ser cristã e, como esposa de pastor, decidira que durante a residência eu não iria aos sábados ao hospital. E agora chegara o momento crucial. Como pedir o sábado livre num hospital? Em minha oração naquela manhã, eu disse: "Senhor, tens o poder para trabalhar na mente das pessoas que comporão o painel de avaliação. Faze o que deves fazer."
O que ocorreu na entrevista foi singular. Basicamente foram perguntas a respeito do trabalho de meu marido, quanto tempo ficaríamos na cidade, etc. Ao tomarem conhecimento de que eu era adventista, eles me perguntaram a respeito do sábado. "A verdade é que prefiro não trabalhar no sábado", respondi. Então, uma das pessoas encerrou a entrevista de forma brusca, solicitando que eu conferisse minha nota total à tarde. Foi isso o que fiz, e como pensei, fiquei em terceiro lugar. Eu não fora aceita. Ponto final ou reticências? Ao ver minha nota, descobri que houve um erro. A pontuação não correspondia. Embora eu tivesse tirado zero na entrevista, minha nota era maior (com a qual, obviamente eu podia ser admitida). Quis falar com a encarregada, mas me disseram que a procurasse na semana seguinte. No dia marcado, eu me apresentei, mas poucas horas antes, a vaga fora dada a outra pessoa. Pedi para ver os resultados de minha prova. A evidência de que não haviam incluído uma nota ficou clara. Mencionei o erro à encarregada das residências. "Faça uma carta apresentando sua reclamação", ela me disse. Mas, ao conversar sobre isso com meu esposo, concluí que eu não deveria escrevê-la.
Das grandes provas que os teus olhos viram, e aos sinais, e das maravilhas, e da mão forte, e do braço estendido, com que o SENHOR teu Deus te tirou: assim fará o SENHOR teu Deus a todos os povos, diante dos quais tu temes. Deuteronômio 7:19
O rnês de maio estava findando e não havíamos recebido notícias do esperado milagre. A residência iniciaria nos primeiros dias de junho. Eu pensei: "Se Deus quer me levar ao limite, significa que Ele resolverá o caso no último momento." Quase no fim do mês, meu marido foi ao hospital para doar sangue. Enquanto ele estava fazendo a doação, o chefe da hemoterapia, que pertence à nossa igreja, lhe disse: "Você sabe como está o caso de sua esposa?" "Não", meu esposo respondeu. Então, o Dr. Le comentou como o hospital estava dividido quanto ao tema. "Há gente importante que a está defendendo", ele acrescentou. Quando meu marido me contou, eu não podia crer. "Deus está travando Sua batalha", eu disse.
Dois dias antes do início da residência, recebi um telefonema chamando-me para uma entrevista no departamento de docência do hospital. Pediram desculpas pelo ocorrido e me disseram que como eu não apresentara a reclamação, eles mesmos corrigiram a nota.
"Ao mudar sua qualificação, foi também mudado seu lugar na tabela de posições e assim você pode ingressar na residência, porém já havíamos adjudicado o cargo (aspecto legalmente sério). Diante disso, apresentamos uma petição ao Ministério da Saúde (de quem depende a residência) para podermos abrir uma vaga a mais na residência. Depois de várias semanas, recebemos a resposta afirmativa. A ata de ingresso foi mudada, afirmando que você entra em segundo lugar, não em terceiro, e gostaríamos de saber se você aceita o posto."
Senti-me pequena diante de um Deus tão poderoso, mas tão próximo. Ele fizera toda uma "operação" defendendo Seu nome, em primeiro lugar, e agindo em favor de uma filha pequena que lutava para Lhe ser fiel. O que eu experimentei é algo que somente aqueles que já passaram por essa experiência podem compreender. A pessoa que fora rude comigo na entrevista renunciou a seu posto. Estou no terceiro ano da residência e até hoje não trabalhei, absolutamente, em nenhum sábado.
Elmita Acosta - Rio Gallegos, Argentina

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