MUDAMOS O MUNDO COM UMA
ATITUDE
REAL DE
CARINHO E
AMOR

Acreditamos no Pai, Filho e Espírito Santo. Acreditamos na Palavra de Deus como regra de fé.
Acreditamos na salvação unicamente pela fé. Acreditamos que devemos guardar os mandamentos.
Acreditamos que devemos cuidar da saúde. Acreditamos que devemos cuidar da natureza.
Acreditamos que Jesus voltará.

Pesquisar este blog

terça-feira, 21 de julho de 2015

Daniel 2 - A História do Mundo em 49 versos



Quando estava estudando a Bíblia para receber o batismo na Igreja Adventista do Sétimo Dia (em 1991), um dos capítulos que mais me impressionaram foi justamente Daniel 2. Como era possível que alguém vivendo cerca de 600 anos antes de Cristo* pudesse prever com tanta precisão e riqueza de detalhes a história da humanidade em apenas 49 versos? Ao mesmo tempo em que estudava as Escrituras, eu me preparava para o vestibular com o objetivo de cursar Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Naquela época, eu já sabia que para ser um bom redator era necessário saber escrever com clareza, concisão e dar o máximo de informação no menor espaço possível. Daniel fez exatamente isso!
Nesse capítulo, o profeta fala sobre o sonho que deixou Nabucodonosor intrigado. O monarca, sabendo que os astrólogos e adivinhos poderiam inventar algum tipo de interpretação (qualquer semelhança com as “revelações” vagas dos horóscopos de hoje não é mera coincidência), exigiu que eles lhe dissessem do que se tratava o sonho. Missão impossível, claro. Quando o rei disse que mataria todos os sábios, caso não lhe dessem a resposta, o desespero foi geral. Mesmo Daniel e seus amigos seriam punidos com a morte. Você acha que os hebreus se desesperaram também? Nada disso.
Daniel, Misael, Hananias e Azarias pediram tempo ao rei e foram para casa. Para quê? Simples: para orar pedindo a resposta a Deus. É em tempo de provação que o caráter se revela e aqueles moços conheciam suficientemente ao Senhor para saber que Ele não os deixaria na mão naquela situação. “Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite, pelo que Daniel louvou o Deus do céu” (Dn 2:19).
É bom lembrar que para receber a revelação de Deus Daniel havia se preparado adequadamente. Além de ser um jovem de oração, ele cuidava da saúde física, lembra? Naquele tempo, ele não tinha como saber disto, mas o fato é que o cérebro funciona como uma espécie de “antena parabólica” que Deus usa para Se comunicar conosco. Bebidas e alimentos impróprios acabam danificando essa “antena” e ofuscando os sinais. Se quisermos ouvir claramente a voz de Deus e ter discernimento claro, devemos imitar Daniel e seus amigos e manter nossa “antena” limpa.
Depois de receber a revelação, Daniel procurou o chefe dos eunucos e lhe pediu algo que deixa sua bondade ainda mais evidente: “Não mates os sábios de Babilônia” (v. 24). Inacreditável! Aquela era a chance de o profeta se livrar de uma vez por todas de seus invejosos concorrentes: os astrólogos, os magos e os feiticeiros. Mas não. Naquele momento, Daniel revelou o amor incondicional de Deus que ama até mesmo o maior dos pecadores (embora não aceite seus pecados).
Na presença do rei, o chefe dos eunucos tentou levar vantagem. Disse que havia achado alguém que tinha a resposta do enigma. Mentira. Fora Daniel quem se dirigira até ele. O profeta hebreu deixou esse detalhe de lado e atribuiu a verdadeira honra a quem de direito: “O mistério que o rei requer nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhos o podem descobrir ao rei, mas há um Deus nos céus, o qual revela mistérios; Ele fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser no fim dos dias” (v. 27, 28). No verso 11, os astrólogos haviam se saído com esta: “Só os deuses podem dar a resposta que o rei quer, mas eles não habitam com os homens.” Bela desculpa! Daniel contradiz os pretensos adivinhos e afirma que há, sim, um Deus no Céu que Se interessa pelo ser humano e interage com ele revelando Sua vontade.
Séculos depois, o grande cientista Isaac Newton expressaria essa mesma verdade nas seguintes palavras: “A autoridade dos imperadores, reis e príncipes é humana; a autoridade dos concílios, sínodos, bispos e presbíteros é humana. Mas a autoridade dos profetas é divina” (As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel, p. 26).
Daniel aproveitava toda oportunidade para falar de Deus, pois sabia que Ele é o único que pode dar sentido à vida das pessoas e cuja palavra é confiável e autorizada. Não procurava chamar atenção para si, mas apontava sempre ao Senhor a quem servia.
Ao revelar exatamente o que o rei havia sonhado, Daniel conquistou-lhe o respeito e a confiança de que certamente também poderia interpretar o sonho. É interessante notar que os pensamentos do rei antes de ter o sonho diziam respeito ao que “há de ser depois disto” (v. 29), ou seja, tinham a ver com o futuro. E Deus lhe concedeu um vislumbre dos séculos seguintes por meio de uma metáfora em forma de estátua. Aparentemente, se tratava de uma simples figura humana composta por vários metais: cabeça de outro, braços e peito de prata, ventre de cobre, pernas de ferro e pés de ferro misturado com barro. Não fosse a interpretação de Daniel, dada nos versos 37 a 45, aquele seria mais um sonho sem pé, nem cabeça – melhor dizendo, esse teria pé e cabeça... mas não teria sentido algum.
Segundo o profeta, cada metal da estátua representa um reino que sucederia Babilônia, e é aí que a precisão histórica da profecia surpreende, porque foram exatamente três grandes reinos (Medo-Pérsia, Grécia e Roma) que surgiram no cenário mundial depois da Babilônia (o ouro), representados, respectivamente, pela prata, o cobre e o ferro. E depois de Roma? Na sequência de metais surge uma mistura estranha: ferro com barro. E todo mundo sabe que eles não se misturam. Perfeito de novo! Com a fragmentação do Império Romano (as pernas de ferro), os povos bárbaros que o invadiram formaram dez reinos (o mesmo número de dedos dos dois pés da estátua), em parte fortes (ferro), em parte fracos (barro), segundo o verso 42. 
Os governantes desses reinos tentaram a unificação por meio de casamentos (v. 43), mas não deu certo. Na profecia, nunca mais surgiria um reino mundial depois de Roma. Carlos Magno, Napoleão Bonaparte, Kaiser Guilherme e Adolf Hitler bem que tentaram, mas contra a profecia não tem jeito. E é assim que a Europa permanece até hoje: fragmentada em Estados independentes. Mas como termina o sonho?
No verso 44, Daniel diz que “nos dias desses reis”, ou seja, na época da Europa, uma pedra (símbolo inequívoco de Jesus e Seu reino, conforme Ef 2:20; 1Co 10:4; Lc 20:17, 18), cortada sem auxílio de mãos humanas, atingirá a estátua nos pés, fazendo-a desabar. Essa pedra encherá toda a Terra (v. 35). Dessa forma, Daniel não apenas descreve a sucessão dos impérios, mas também localiza a volta de Jesus numa época específica: a da Europa, que existe desde 476 d.C. 
Esse sonho relatado no capítulo 2 de Daniel fornece uma espécie de base sobre a qual as profecias seguintes e mais complexas do livro (e mesmo do Apocalipse) serão construídas. Conforme escreveu Newton, “entre os velhos profetas, Daniel é o mais específico na questão de datas e o mais fácil de ser entendido. Por isso, no que diz respeito aos últimos tempos, deve ser tomado como a chave para os demais” (ibidem, p. 26). 
O grande cientista inglês disse ainda que “a realização de coisas preditas com grande antecedência será um argumento convincente de que o mundo é governado pela Providência” (ibidem, p. 180). 
Nabucodonosor percebeu isso e o impacto da revelação do sonho foi tão grande sobre o rei que ele disse: “Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios” (v. 47).

Esse mesmo Deus que guia a história quer dirigir a sua vida. Você aceita? 

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente! Sua opinião é muito importante para nós!